Implementando Mambo no Linux desde o zero PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Fernando Mercês   
Ter, 01 de Julho de 2008 21:00

Neste artigo vamos fazer uma instalação do Mambo CMS (www.mambo-foundation.org) num servidor LAMP (Linux - que será o Debian GNU/Linux, Apache, MySQL e PHP). Vamos partir do princípio que a máquina está vazia, sem nenhum sistema operacional.

 

Uma boa dica para seguir este artigo é pegar algum PC encostado que porventura o leitor tenha e transformá-lo num eficiente servidor web para seus testes ou até mesmo para uma intranet.

 

Durante o artigo abordaremos a instalação de configuração do servidor LAMP e, por fim a do Mambo. Após isso iremos criar um site com o Mambo. O resultado final deste artigo será um site completo, com sistema de login e outros recursos do Mambo implementados. Segue um resumo:

 

Parte 1 - Considerações, instalação do Debian GNU/Linux e atualização de pacotes.

Parte 2 - Instalação e configuração do Apache, PHP e MySQL.

Parte 3 - Instalação e configuração do Mambo.

Parte 4 - Criação de um site com o Mambo.

Parte 5 - Migração de seu site Mambo no Linux para um servidor Windows.

 

Parte 1 - Considerações, instalação do Debian GNU/Linux e atualização de pacotes

 

1. Antes de começar

Vamos definir bem no que vamos trabalhar. O Mambo é um CMS - Content Management System ou Sistema de Gerenciamento de Conteúdo escrito em PHP que utiliza uma base de dados MySQL. A principal vantagem em utilizar um CMS para gerar um site, ao invés de programar todo o conteúdo (em PHP, ASP, JSP, etc) do zero, é a velocidade com que se obtém resultados e a facilidade de implementação, mesmo para quem não possui conhecimento em linguagem de programação.

Para o Mambo rodar, é neces?ario que ele seja instalado numa máquina que possua a função de servidor web e servidor de banco de dados. Esta máquina pode possuir qualquer sistema operacional, desde que supoer PHP e MySQL. No nosso artigo vamos utilizar o Debian GNU/Linux e na última parte do artigo, vamos fazer uma migração para um servidor MS-Windows.

 

1.1. Hardware necessário

Usaremos um K6-II 500 MHz com 128 MB de RAM e um HD de 2 GB. Perceba que é uma máquina muito modesta.

Essa máquina deve possuir pelo menos uma interface de rede e um leitor de CD-ROM, além de mouse, teclado, etc.

 

1.2. Instação do SO

Já abordamos a instalação do Debian no artigo Servidor de máquinas virtuais com Linux mas vamos realizar a instalação de maneira um pouco diferente aqui.

 

1.2.1 Obtendo o Debian

Baixe a imagem netinstall do Debian, para 32 (i386) ou 64-bits (amd64/ia64) a partir do site oficial.

 

1.2.2 Dando boot e instalado

Após gravá-la num CD, inicialize a máquina que usaremos por ele e aguarde até que apareça a tela abaixo:

 

Veja que digitamos a palavra installgui antes de pressionar ENTER.

 

O parâmetro installgui instrui ao kernel o carregamento de um programa de instalação com gráficos mais claros e bem desenhados, diferente do padrão do Debian (uma GUI de console).

Agora é só seguir com a instalação e atentar-se para as configurações como hostname, IP, etc. Mais tarde você vai precisar lembrar o que informou ao programa de instalação. Além disso, você deve configurar um IP para a mesma faixa de sua rede.

 

O particionamento pode ser o padrão (assistido/guided for new users), que faz com que tudo fique numa única partição, com excessão da partição de swap, claro.

 

1.2.3. Ainda na instalação, surgirá uma tela perguntando por um mirror de pacotes que, SIM, devemos ter. Basta estar conectado à internet com a máquina em questão que os pacotes atualizados ou faltantes são baixados rapidamente. Na tela seguinte você pode selecionar a funçãões de "Servidor web" para já instalar o Apache mas nós vamos ver a instalação adiante, de qualquer forma.

 

IMPORTANTE! Ne seleção de pacotes, não selecione a função "Banco de dados SQL" pois o programa de instalação irá instalar o PostgreSQL, que não será útil no nosso caso.

O programa de instalação fará alguns downloads a fim de atualizar os pacotes e baixar o servidor web Apache (se você o selecionou antes).

 

1.2.4. Depois do download e instalação destes pacotes, o Debian está instalado e pronto para uso. Vamos efetuar um primeiro login como root (você escolheu uma senha para o root no programa de instalação) e, em seguida, vamos instalar alguns pacotes úteis e atualizar o sistema. Comande o que está abaixo:

# apt-get update
# apt-get -y install sudo rcconf mc iptraf
# apt-get -y upgrade

Depois de baixar o novo kernel e algumas atualizações, é interessante reiniciar o sistema (comando reboot) à fim de carregar o novo kernel.

 

A instalação dos demais itens do LAMP veremos na parte 2 deste artigo. Até lá.

 

 

Parte 2 - Instalação e configuração do Apache, PHP e MySQL

2. Antes de começar

Certifique-se de que a internet está funcionando em seu sistema Debian. Saiba que precisaremos fazer o download de alguns bons megabytes (cerca de 50 MB, variando em alguns casos). Portanto, analise sua banda e tenha ciência desses downloads.

 

2.1. Instalando os pacotes

Faça login como root e digite os comandos abaixo:

# apt-get update

# apt-get install -y apache2 apache2-utils php5 libapache2-mod-php5 mysql-server php5-mysql

 

Vamos ver o que é cada pacote:

apache2 - o servidor web Apache, em sua versão 2.x.

apache2-utils - alguns utilitários de gerenciamento do Apache.

php5 - o interpretador PHP versão 5.x.

libapache2-mod-php5 - o módulo de PHP para o Apache.

php5-mysql - o módulo de MySQL para o PHP (permite que os scripts PHP acessem o banco de dados MySQL).

mysql-server - o servidor de banco de dados MySQL.

 

Após o término do download e instalação dos pacotes, siga para o item 2.2.

 

2.2. Configuração do Apache

Antes de começar a configuração, vamos testar o Apache (que já deve estar funcionando). Para isso, abra um browser numa máquina da rede e digite o IP do servidor Debian. Aqui o IP é 10.0.0.2. O resultado deve ser como este:

 

 

Se você recebeu alguma página de erro, verifique o endereço digitado (IP do servidor) e reveja os passos de instalação do Apache. Caso o problema insista, nos comunique o erro.

 

Com o Apache funcionando, podemos começar a configuração do site. Por padrão, o Apache já instala um site de exemplo (este que vimos no teste) no diretório /var/www. Vamos usá-lo, já que teremos um único site neste webserver.

 

2.2.1. Verifique se o módulo de PHP para o Apache está configurado para ser carregado na inicialização:

# ls /etc/apache/mods-enabled | fgrep php

 

Dois arquivos devem ser listados na saída do comando acima: o php5.conf e o php5.load.

 

Se o módulo não estiver habilitado (ou seja, se os arquivos não forem listados), o faça com os comandos abaixo - e depois verifique novamente.

# a2enmod php5

# /etc/init.d/apache2 force-reload

 

2.2.2 Desabilite módulos que não utilizaremos

Por padrão o Apache carrega os módulos do Python e do CGI/Perl. Já que não vamos utilizá-los, eles podem ser desabilitados para economizar memória RAM do servidor. Para isso, comande:

# a2dismod mod_python

# a2dismod cgi

# a2dismod perl

# /etc/init.d/apache2 force-reload

 

O básico do Apache está feito (fácil, não?). A porta padrão já é a 80 e o site já está sendo exibido (aquela página de teste, por enquanto). Não usaremos SSL, então, podemos ir para o teste do PHP.

 

2.3. Testando o módulo PHP

Para testar se o Apache está realmente suportando scripts PHP, comande:

# echo "" /var/www/apache2-default/teste.php

 

O comando acima vai criar um script PHP chamado teste.php no diretório raiz de nosso site. O script chama a função phpinfo(), que retorna uma página com informações sobre a versão do PHP instalado, dentre outros detalhes técnicos.

 

Acesse a página que você criou, digitando a URL dela no browser. O resultado deve ser como este:

 

 

2.4. Configuração do MySQL

Vamos verificar se o MySQL Server está carregado com o comando abaixo:

# pgrep mysql

 

O retorno deve ser dois números (PIDs dos processos do MySQL).

 

Feito isso, podemos criar a base de dados padrão e de teste, recomendáveis:

# mysql_install_db

 

Agora precisamos definir a senha do root (não confunda com o root do sistema. Este aqui é do MySQL):

# mysqladmin -u root password 1234

Aqui definimos a senha do root como 1234.

 

2.5 Criação do banco de dados do Mambo

É necessário criar um banco de dados para o Mambo (não usaremos o banco de dados de teste). Para isso, vamos acessar o console do MySQL Server:

# mysql -u root -p

Será pedida a senha de root do MySQL. Digite-a e pressione a tecla .

 

Agora, já no console do MySQL, vamos criar o BD:

mysql> CREATE DATABASE mambo;

 

Vamos criar um usuário para o Mambo acessar o BD:

mysql> GRANT ALL ON mambo.* TO mambouser IDENTIFIED BY '1234';

 

O comando acima dá todas as permissões no BD mambo (criado anteriormente) para o usuário mambouser, que terá senha 1234.

 

Pronto. Digite quit para sair do console do MySQL. Estamos prontos para instalar o Mambo, assunto que será coberto na parte 3 do artigo.

 

 

Parte 3 - Instalação e configuração do Mambo

 

3.1. Obtendo o Mambo

O Mambo é livre e gratuito. Basta acessar a página de download e obtê-lo. Baixe a versão "Complete" do Mambo, compactada em tar.gz pois iremos descompactar no Linux.

 

Para agilizar o processo, você pode baixar o arquivo diretamente do seu servidor web. Basta comandar:

# cd /var/www/apache2-default

# wget -c http://mambo-code.org/gf/download/frsrelease/369/706/MamboV4.6.4.tar.gz

 

IMPORTANTE! Note que a versão do Mambo pode mudar e o link também. Confira na página de download o endereço correto do link antes de passá-lo para o wget.

 

O arquivo ficará no diretório raiz de nosso servidor web. Agora temos que descompactá-lo e desempacotá-lo:

# rm *

# tar -xvzf MamboV4.6.4.tar.gz

 

3.2. Após descompactar sem erros, você terá toda a estrutura de diretórios do Mambo criada na raiz do site. A partir deste ponto a instalação segue via browser, ou seja, simplesmente acesse o webserver via browser, como fizemos para ver a página de teste, e você verá a página checagem pré-instalação do Mambo:

 

 

Nesta página, itens em vermelho devem ser notados. No nosso servidor, a checagem informa que o arquivo configuration.php, diga-se de passagem, o arquivo mais importante do Mambo, não possui permissão de escrita. Isso significa que a instalação não vai continuar se não providenciarmos as devidas permissões no arquivo. Bem, na verdade este arquivo ainda não existe. Então, podemos criá-lo e setar suas permissões.

 

Vá ao servidor e comande:

# cd /var/www/apache2-default

# touch configuration.php

# chmod 666 configuration.php

 

Volte ao browser e atualize a página (F5). O arquivo configuration.php deve ficar "writable". Se isto não acontecer, revise os passos anteriores.

 

3.3 Clique em Next e leia a licença. Ao terminar, clique em Next novamente e será exibida a página de configuração do banco de dados. Na parte 2 do artigo nós configuramos o MySQL. Teremos de informar tais configurações ao Mambo agora. Acompanhe o que vamos informar (em azul) e explicação na subseqüente:

 

 

Host Name - aqui fica o nome do computador onde está instalado o servidor MySQL. Já que está na mesma máquina onde será instalado o Mambo, basta preencher com localhost.

MySQL User Name - o nome de usuário para o Mambo acessar o banco de dados MySQL. Lembra-se que criamos um usuário mambouser para o Mambo? Basta usá-lo.

MySQL Password - a senha do usuário mambouser. Nós a definimos como 1234, anteriormente.

MySQL Database Name - o nome do banco de dados criado para o Mambo. Nós o nomeamos mambo.

MySQL Table Prefix - o prefixo dos nomes de todas as tabelas criadas no BD. Extremamente útil para utilizar o Mambo com um banco de dados já em uso por outra aplicação. No nosso caso, o BD mambo será só para o Mambo, mas pode deixar o prefixo padrão jos_.

Backup Old Tables - se fosse uma atualização, manteria as tabelas antigas renomeando-as com o prefixo old_. Como estamos numa nova instalação, deixe desmarcada esta caixa.

Install Sample Data - se marcada, esta opção vai fazer com que o Mambo preencha suas tables com dados de exemplo como menus, textos, etc. Já que vamos criar um site na próxima parte do artigo, deixe-a desmarcada.

 

3.4 Reveja as configurações e clique em Next. Responda sim (botão OK) à pergunta que aparecer informando que o Mambo tentará gravar suas tabelas no BD utilizando as informações fornecidas por você. Se tudo correr bem, a página seguinte informará o sucesso da operação e já pedirá um nome para o site:

 

 

Aqui digitamos o nome Clube do Mambo para o site. Será o título do nosso site-exemplo. Após digitar, clique em Next.

 

3.5 Na página do passo 3, precisamos fornecer um e-mail válido para retornos do site e uma senha para o usuário admin, do Mambo. Coloque seu e-mail e uma senha de fácil memorização, por hora.

 

 

 

URL - endereço do seu novo site. Como fiz todo o processo sem servidor DNS, vai ficar o IP mesmo: http://10.0.0.2/apache2-default

Path - caminho físico do direto?io onde está armazenado o conteúdo do site. No nosso caso é /var/www/apache2-default.

Your E-mail - seu e-mail. Será utilizado para todas as transações de e-mails do site.

Admin password - a senha do usuário Admin, do Mambo. Este é o superusuário padrão do Mambo que não pode ser removido. Escolhemos 123456.

 

3.6 Feitas as configurações, clique em Next e pronto. O Mambo está instalado e configurado. Você pode visualizar seu site clicando no botão "View site" da página final.

 

Note que há um campo para enviar um feedback para a Mambo Foundation sobre sua nova instalação do Mambo. Não leva nem um minuto. Wink

 

Mais abaixo, há um cadastro para receber os boletins de segurança. Recomendo fortemente.

 

3.7 Se você clicou em "View site" ou digitou o IP do webserver no navegador, se deparou com uma imagem similar a esta:

 

 

Antes de te exibir o site, o Mambo pede que você remova o direto?io de instalação dele do webserver. Esta é uma exigência de segurança, para que não acessem de fora o script de instalação e consigam escrever no seu webserver sem sua autorização. Siga-a o mais rápido possível. Vá ao servidor e comande:

# cd /var/www/apache2-default

# rm -R installation

# rm INSTALL.PHP

 

Agora volte ao browser e atualize a página (F5). Eis o Mambo:

 

 

Este é o tema padrão do Mambo. Agora vamos ver como popular nosso site com informação, na próxima parte do artigo. Até lá.