Jump to content
  • Montando sua máquina virtual para engenharia reversa em Windows

       (0 reviews)

    Fernando Mercês
     Share

    Resolvi montar este tutorial depois do grande trabalho que tive pra atualizar a máquina virtual que utilizo para analisar malware. Perdi horas procurando e instalando programas. Minha vontade era de distribuir um OVA com a máquina já pronta e talvez faça isso no futuro mas por hora vou discutir aqui os programas que utilizo para uma análise básica de malware ou engenharia reversa de algum software.

    desktop.png.9405a44c6808797ffc7e9305995b31cb.png

    Máquina virtual

    • 512 MB de memória
    • Placa de rede em modo NAT

    Sistema operacional

    Utilizo o Windows 7 64-bits em Português do Brasil, para facilitar na análise de malware brasileiro que teste o idioma do SO. Claro que em alguns casos vale a pena você ter máquinas virtuais de outras versões do Windows e em diferentes idiomas para ver se o comportamento do seu alvo muda. “Alvo” aqui significa o arquivo que você vai analisar, seja porque ele é suspeito seja porque você quer conhecer seu funcionamento.

    Algums dicas durante de instalação:

    • Não utilizar seu nome verdadeiro na criação da conta de usuário do Windows durante a instalação. Não há necessidade.
    • Não instalar as extensões do software virtualizador como VMware Tools ou VirtualBox Guest Additions.
    • Não instalar nenhum antivírus, firewall ou qualquer software de proteção.
    • Desabilitar todos os itens na “Central de Segurança” do Windows, incluindo as atualizações automáticas.

    Arquivos diversos

    Costumo espalhar uns arquivos .doc, .xls etc pela máquina, a fim de parecer que é uma máquina real. Algumas ameaças (principalmente ransomware) tentam encriptar ou mesmo destruir arquivos das vítimas.

    Software geral

    • 7-Zip: Descomprime qualquer formato! E é livre.
    • Firefox: Browser livre.
    • Flash: Caso precise analisar SWF ou visualizar algum site que exija, mas cuidado pra não baixar tralha da McAfee junto.
    • Java: Somente a JRE (Java Runtime Environment), para analisar classes Java.
    • .NET Framework: Para permitir que ferramentas e alvos escritos nesta linguagem rodem.
    • Notepad++: o único editor de arquivos que você precisa no Windows!

    Software específico

    • API Monitor: Pode monitorar qualquer chamada a uma função específica da API do Windows ou de uma DLL específica. Muito bom.
    • DeDe: Descompilador para Delphi. Extremamente útil para os malwares brasileiros!
    • Dis#: Descompilador para .NET.
    • E2A (Event to Address): Somente para alvos escritos em Borland C++, dá os endereços dos eventos, como o clique de um botão por exemplo. Impressionante.
    • FileGrab: Monitora o filesystem e copia para um diretório qualquer arquivo criado nele. Útil pra monitorar comportamento de malware que se deleta.
    • Hex Workshop: Editor hexa animal, mas pago (não se preocupe, há um livre no final da lista).
    • IDA Free: Disassembler e debugger. Tem uma função graph muito útil, além de suporte a vários tipos de binários e muitos recursos.
    • JD-GUI: Descompilador Java (gera código Java a partir dos .class).
    • .NET Reflector: Outro descompilador pra .NET. Assim como o Dis#, gera MSIL (Microsoft Intermeddiate Language) como saída, não Assembly.
    • OllyDbg: Debugger e disassembler. O principal programa para análise.
    • pev: Toolkit para análise de binários.
    • ProcessExplorer: Monitora o que os processos estão fazendo no sitema (chaves de registro que estão abrindo, outros arquivos etc).
    • RawCap: Sniffer de pacotes que usa raw sockets. É muito rápido e simples de usar. Gera o PCAP pra ser analisado no Wireshark futuramente, o que pode ser feito fora da máquina virtual.
    • RegShot: Usado para tirar uma “foto” do sistema antes e outra depois da execução de um aplicativo, a fim de compará-las para investigar o que foi alterado.
    • wxHexEditor: Editor hexadecimal livre, cheio de recursos. Tem a capacidade de editar discos inclusive.

    Software opcional, caso precise programar

    • Orwell Dev-C++: Versão em constante atualização do Dev-C++, para quem precisar codar em C/C++ para ver o comportamento de uma função da API do Windows por exemplo.
    • Visual Studio Express: Para desenvolver em .NET, a Microsoft oferece uma versão gratuita (Express) do Visual Studio.

    IMPORTANTE: Após instalar todos os softwares, é de extrema utilidade criar um snapshot da máquina virtual, pra você voltar facilmente a este estado limpo após analisar um arquivo suspeito, por exemplo.

    Se você é iniciante, recomendo baixar e testar um programa de cada vez, até entender o motivo pelo qual ele pode ser útil. Alguns programas da lista acima são redundantes entre si pois possuem o mesmo objetivo, mas às vez um é mais preciso que outro dependendo do alvo, por isso é interessante mantê-los.

    Recomendo colocar as ferramentas que não possuem programa de instalação, como o E2A, num diretório tipo C:tools e criar atalhos para os executáveis principais na área de trabalho.

    O artigo é curto mas o trabalho que o leitor terá é grande.


    Revisão: Leandro Fróes
     Share


    User Feedback

    Join the conversation

    You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.
    Note: Your post will require moderator approval before it will be visible.

    Guest

    • This will not be shown to other users.
    • Add a review...

      ×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

        Only 75 emoji are allowed.

      ×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

      ×   Your previous content has been restored.   Clear editor

      ×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.


  • Similar Content

    • By Felipe.Silva
      Livro em Português sobre Assembly em constante desenvolvimento. É de autoria do @Felipe.Silva, membro da comunidade aqui! 🤗
    • By Bruna Chieco
      O Siloscape é o primeiro malware que tem como alvo os contêineres do Windows – tecnologia para empacotamento e execução de aplicativos. Segundo o ThreatPost, o malware implanta backdoors e nós de invasão para obter credenciais de usuários.
      A campanha em andamento perfura os clusters do Kubernetes – sistema de orquestração de contêineres open-source – para a implantação de backdoors, permitindo que os invasores roubem dados e credenciais do usuário ou sequestrem bancos de dados inteiros hospedados em um cluster.
      Segundo a reportagem, o malware foi descoberto pelo pesquisador de segurança da Unidade 42, Daniel Prizmant, que o apelidou de Siloscape, ou "Fuga do Silo". O malware explora vulnerabilidades conhecidas em servidores da web e bancos de dados para comprometer os nós do Kubernetes e os clusters de backdoor. 
      Prizmant fez um trabalho de engenharia reversa para conseguir se conectar ao servidor de comando e controle (C2) do Siloscape, onde descobriu que estava hospedando um total de 313 usuários. Isso implica que o Siloscape é uma pequena parte de uma campanha mais ampla, observou ele. Prizmant destaca que o Siloscape é um malware fortemente ofuscado. 
      Os pesquisadores da Unidade 42 identificaram 23 vítimas do Siloscape e disseram que as evidências indicam que a campanha foi lançada há mais de um ano, podendo ter iniciado em janeiro de 2020. 
      A recomendação é que os usuários sigam o conselho da Microsoft para não usar contêineres do Windows como um recurso de segurança. Em vez disso, a Microsoft recomenda o uso estritamente de contêineres Hyper-V para qualquer coisa que dependa da conteinerização como limite de segurança. 
    • By Leandro Fróes
      Depois de muita espera a NSA anunciou oficialmente a inclusão de um debugger no Guidra na sua versão 10.0. Depois de muita discussão sobre esta possibilidade o time de desenvolvimento do framework lançou uma release beta da versão 10.0 ontem!
      Neste momento o debugger suporta analisar aplicações em userland e consegue debuggar tanto binários Windows quanto Linux (utilizando o gdb neste caso). Para quem quer começar logo de cara o Guidra disponibiliza um tutorial de início rápido em Help -> Guidra Functionality -> Debugger -> Getting Started:

      Existem várias formas de iniciar o debugger, desde clicando com o Botão direito -> Open With -> Debugger até direto da sua Project Window do Guidra clicando no ícone de "bug" debaixo de "Tool Chest", como mostrado abaixo:

      Uma vez que a ferramenta é inicializada você deve importar o arquivo a ser depurado para a ferramenta. Uma das formas de fazer isto é simplesmente o arrastando da Project Window. Uma fez carregado podemos ver a cara do mais novo debugger do Guidra:

      Algumas das funcionalidades são: debugging remoto utilizando GDB e windbg, rodar o debugger direto no programa do qual você está analizando estaticamente e tracing de memória.
      Além disso ele também conta com as funcionalidades básicas de um debugger como utilização de breakpoints, listagem de regiões de memória mapeadas, estados dos registradores e uma interface de linha de comando própria.
      Todas as funcionalidades listadas aqui possuem sua própria View, isto é, sua própria janela dentro da ferramenta:


      Vale lembrar que esta release está em sua versão beta e tem como objetivo principal coletar o feedback da comunidade. Caso queira dar uma testada e/ou dar um feedback pra galera do Guidra basta baixar a release clicando no botão abaixo 😉.

    • By Leandro Fróes
      E lá vai mais uma do horsicq! No dia de hoje horsicq, criador de inúmeras ferramentas de análise incluindo o incrível Detect It Easy (DIE), lançou a primeira release do seu novo projeto, um analisador de arquivos MachO chamado XMachOViewer.

      Para quem já utilizou o DIE vai notar uma grande semelhança no design e usabilidade. Já aquelas que não estão familiarizados com as ferramentas do horsicq (deveriam, sério!) fiquem tranquilos, todas são bem simples e intuitívas de se usar.
      Ao contrário do DIE o XMachOViewer tem foco exclusivo em binários MachO. Em relação à funcionalidades a ferramenta consegue fazer tudo que o Detect It Easy faz e ainda mais, tudo isso com uma console exclusiva e mais detalhada: 

      Dentre as funcionalidades novas temos a busca por padrões de criptografia (Base64, RSA, etc), muito útil para análise de malware, por exemplo:

      Name demangling (precisamos dizer o quanto isso é útil? 😄) :

      E também uma funcionalidade de hashing (por que não, né?):

      Além disso, devido à natureza interativa da ferramenta ela permite você editar o arquivo diretamente, bastando apenas selecionar o campo que deseja e começar a digitar:

      A versão 0.01 está pronta para download e com certeza vale uma conferida:

    • By Fernando Mercês
      A Hex-Rays surpreendeu todo mundo agora. Liberou a versão mais recente do IDA, a 7.6, no modelo freeware. Só isso já seria muito bom, mas eles foram além: O IDA 7.6 freeware inclui um descompilador online (cloud-based) gratuito! Pois é, pessoas... Parece que a concorrência exercida pelo Ghidra realmente está sendo saudável para a comunidade. Ao disparar o plugin de descompilação (F5), o programa deixa claro que este recurso na versão gratuita suporta somente binários de 64-bits, dentre outros avisos:

       
      Ao continuar, a descompilação é concluída e códiogo em pseudo-C é exibido ao lado. Veja o exemplo descompilando o notead.exe nativo do Windows:

      Os recursos de interação como renomear variáveis e funções no descompilador estão habilitados, uma notícia muito boa para a comunidade!
      Além do descompilador, a versão 7.6 do IDA freeware inclui:
      Modo escuro
      Tá na moda né? E o IDA não ficou de fora. Se você for em Options -> Colors e mudar o Theme para dark, vai ter um visual assim:

       
      Organização de dados em pastas
      Sendo um disassembler interativo, a versão 7.6 oferece a opção de organizar os dados em pastas. Isso vale para vários locais. Um deles é a janela de funções. É possível agora criar pastas e organizar as funções dentro delas. Para isso, basta clicar com o botão direito do mouse na janela de funções e escolher Show folders. Depois é só selecionar as funções desejadas e escolher Create folder with items.

      E mais:
      Suporte a binários compilados em Go. Suporte ao novo Apple M1. Rebasing mais rápido. Sincronização entre o descompilador online e o disassembly. Lembando que o disassembler em si suporta binários de 32-bits também (PE, ELF e Mach-O). Só o descompilador que não.
       

×
×
  • Create New...