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  • Montando sua máquina virtual para engenharia reversa em Windows

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    Resolvi montar este tutorial depois do grande trabalho que tive pra atualizar a máquina virtual que utilizo para analisar malware. Perdi horas procurando e instalando programas. Minha vontade era de distribuir um OVA com a máquina já pronta e talvez faça isso no futuro mas por hora vou discutir aqui os programas que utilizo para uma análise básica de malware ou engenharia reversa de algum software.

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    Máquina virtual

    • 512 MB de memória
    • Placa de rede em modo NAT

    Sistema operacional

    Utilizo o Windows 7 64-bits em Português do Brasil, para facilitar na análise de malware brasileiro que teste o idioma do SO. Claro que em alguns casos vale a pena você ter máquinas virtuais de outras versões do Windows e em diferentes idiomas para ver se o comportamento do seu alvo muda. “Alvo” aqui significa o arquivo que você vai analisar, seja porque ele é suspeito seja porque você quer conhecer seu funcionamento.

    Algums dicas durante de instalação:

    • Não utilizar seu nome verdadeiro na criação da conta de usuário do Windows durante a instalação. Não há necessidade.
    • Não instalar as extensões do software virtualizador como VMware Tools ou VirtualBox Guest Additions.
    • Não instalar nenhum antivírus, firewall ou qualquer software de proteção.
    • Desabilitar todos os itens na “Central de Segurança” do Windows, incluindo as atualizações automáticas.

    Arquivos diversos

    Costumo espalhar uns arquivos .doc, .xls etc pela máquina, a fim de parecer que é uma máquina real. Algumas ameaças (principalmente ransomware) tentam encriptar ou mesmo destruir arquivos das vítimas.

    Software geral

    • 7-Zip: Descomprime qualquer formato! E é livre.
    • Firefox: Browser livre.
    • Flash: Caso precise analisar SWF ou visualizar algum site que exija, mas cuidado pra não baixar tralha da McAfee junto.
    • Java: Somente a JRE (Java Runtime Environment), para analisar classes Java.
    • .NET Framework: Para permitir que ferramentas e alvos escritos nesta linguagem rodem.
    • Notepad++: o único editor de arquivos que você precisa no Windows!

    Software específico

    • API Monitor: Pode monitorar qualquer chamada a uma função específica da API do Windows ou de uma DLL específica. Muito bom.
    • DeDe: Descompilador para Delphi. Extremamente útil para os malwares brasileiros!
    • Dis#: Descompilador para .NET.
    • E2A (Event to Address): Somente para alvos escritos em Borland C++, dá os endereços dos eventos, como o clique de um botão por exemplo. Impressionante.
    • FileGrab: Monitora o filesystem e copia para um diretório qualquer arquivo criado nele. Útil pra monitorar comportamento de malware que se deleta.
    • Hex Workshop: Editor hexa animal, mas pago (não se preocupe, há um livre no final da lista).
    • IDA Free: Disassembler e debugger. Tem uma função graph muito útil, além de suporte a vários tipos de binários e muitos recursos.
    • JD-GUI: Descompilador Java (gera código Java a partir dos .class).
    • .NET Reflector: Outro descompilador pra .NET. Assim como o Dis#, gera MSIL (Microsoft Intermeddiate Language) como saída, não Assembly.
    • OllyDbg: Debugger e disassembler. O principal programa para análise.
    • pev: Toolkit para análise de binários.
    • ProcessExplorer: Monitora o que os processos estão fazendo no sitema (chaves de registro que estão abrindo, outros arquivos etc).
    • RawCap: Sniffer de pacotes que usa raw sockets. É muito rápido e simples de usar. Gera o PCAP pra ser analisado no Wireshark futuramente, o que pode ser feito fora da máquina virtual.
    • RegShot: Usado para tirar uma “foto” do sistema antes e outra depois da execução de um aplicativo, a fim de compará-las para investigar o que foi alterado.
    • wxHexEditor: Editor hexadecimal livre, cheio de recursos. Tem a capacidade de editar discos inclusive.

    Software opcional, caso precise programar

    • Orwell Dev-C++: Versão em constante atualização do Dev-C++, para quem precisar codar em C/C++ para ver o comportamento de uma função da API do Windows por exemplo.
    • Visual Studio Express: Para desenvolver em .NET, a Microsoft oferece uma versão gratuita (Express) do Visual Studio.

    IMPORTANTE: Após instalar todos os softwares, é de extrema utilidade criar um snapshot da máquina virtual, pra você voltar facilmente a este estado limpo após analisar um arquivo suspeito, por exemplo.

    Se você é iniciante, recomendo baixar e testar um programa de cada vez, até entender o motivo pelo qual ele pode ser útil. Alguns programas da lista acima são redundantes entre si pois possuem o mesmo objetivo, mas às vez um é mais preciso que outro dependendo do alvo, por isso é interessante mantê-los.

    Recomendo colocar as ferramentas que não possuem programa de instalação, como o E2A, num diretório tipo C:tools e criar atalhos para os executáveis principais na área de trabalho.

    O artigo é curto mas o trabalho que o leitor terá é grande.


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    • By Felipe.Silva
      Injeção de código é uma técnica que consiste em adicionar instruções extras em um executável. Essas instruções podem ser adicionadas em vários lugares do programa, inclusive executar antes do entry point original.
      O uso mais comum para injeção de código é para fins maliciosos, onde um shellcode poderia ser inserido no executável e dar acesso remoto para um atacante. Mas um exemplo de uso "justo" para essa técnica é para fins de patching no executável quando você quer que algo seja alterado em tempo de execução no binário.
      Se você já tentou injetar código em um executável manualmente deve saber que não é uma tarefa tão divertida. Pensando neste tipo de impasse, imaginei que seria interessante ter uma ferramenta para automatizar esse tipo de manipulação de um executável. Por esse motivo criei o pei, uma ferramenta para automatizar injeção de código e outros tipos de manipulações em executáveis PE de 32-bit e 64-bit.
      O pei foi programado pensando na automação e por isso é fácil usar a ferramenta a partir de um script. Com ela você pode obter e modificar valores no executável, e é claro, injetar código.
      Antes de qualquer coisa você pode instalar o pei em seu Linux rodando os comandos abaixo:
      git clone https://github.com/Silva97/pei cd pei make sudo make install Nota: Caso use Windows e não esteja usando WSL ou um MSYS2 da vida, você pode compilar o projeto instalando o make e o MinGW (recomendo usar o Chocolatey). No entanto, o “sudo make install” não vai funcionar no Windows, você vai ter que adicionar o executável ao PATH manualmente.
      Se você não estiver a fim de compilar o executável, fiz o favor de adicionar o binário da ferramenta compilado para Windows nos releases dela. Você pode baixá-lo no link https://github.com/Silva97/pei/releases/latest.
      O uso básico da ferramenta segue o seguinte formato:
      pei [opções] <operação> <executável> [argumento] Se você quiser ver mais detalhes de como usar a ferramenta você pode rodar “pei -h”.
      Operações
      As operações são o que determinam o que a ferramenta irá fazer com o executável, indo desde exibir informações sobre ele até modificar campos dos cabeçalhos.
      show
      A operação show serve para exibir informações sobre o executável e campos dos cabeçalhos. Se você não passar argumentos para a operação por padrão ela irá exibir informações básicas do executável:

      Você também pode especificar uma combinação de letras para escolher quais campos serão exibidos, dentre elas: c (COFF header), o (optional header), d (data directories) e s (section). Exemplo:
      $ pei show test.exe co Esse comando, por exemplo, exibe o COFF header e optional header do executável.
      get
      A operação get pega o valor de um campo individual de um dos cabeçalhos (coff, optional ou section) do executável.
      Seguindo uma notação com pontos, semelhante à acessar campos de estruturas em C, você pode especificar o cabeçalho e o nome do campo para ser obtido. Por exemplo, para obter o entry point do executável o comando ficaria:
      $ pei get executavel.exe optional.entry_point '%x' 14f0 Dica: Veja o nome dos campos dos cabeçalhos usando a operação show.
      O argumento após o nome do campo é uma string de formatação idêntica a da função printf() da libc, que aceita quaisquer flags de formatação disponíveis para a função.
      Para acessar os campos de uma seção é necessário especificar o número da seção também, como demonstrado no print abaixo:

      edit
      A operação edit serve para modificar o valor de campos, onde o nome do campo é especificado de maneira idêntica à operação get.
      Você pode utilizar os operadores `=`, `|=` e `&=` que fazem exatamente a mesma coisa que na linguagem C. Exemplos:
      $ pei edit executavel.exe section.0.name = .code $ pei edit executavel.exe optional.entry_point = 0xabcd1234 Esta operação aceita números em decimal, hexadecimal ou octal na hora de definir o valor de campos numéricos.
      zeros
      Esta operação simplesmente exibe uma lista das maiores sequências de bytes nulo em cada seção do executável. É este espaço que é utilizado para injetar o código, tornando a operação útil para você poder escolher em qual seção injetar o código.
      $ pei zeros executavel.exe Section #0 '.text': 0x00000000000022fb of 13 bytes Section #1 '.data': 0x000000000000242c of 1012 bytes Section #2 '.rdata': 0x0000000000002a5b of 37 bytes Section #6 '.idata': 0x0000000000003a26 of 22 bytes Section #7 '.CRT': 0x000000000000420b of 21 bytes Section #9 '/4': 0x0000000000004649 of 23 bytes Section #10 '/19': 0x0000000000004cbe of 10 bytes Section #12 '/45': 0x000000000003e2fc of 5 bytes Section #13 '/57': 0x0000000000041019 of 8 bytes Section #15 '/81': 0x0000000000043c33 of 44 bytes Section #16 '/92': 0x0000000000045509 of 23 bytes inject - A cereja do bolo 🙂
      Esta é a operação que injeta o código. Você pode usar a opção -f para especificar o arquivo contendo o código a ser injetado, que seria um raw binary. Onde esse arquivo deve conter apenas as instruções de código de máquina a ser injetado, como um shellcode por exemplo.
      Opcionalmente, você pode usar a opção -s para especificar o número da seção que você quer injetar o código. Se a opção não for especificada, por padrão o pei vai injetar onde houver mais espaço disponível.
      $ pei -f my_code.bin inject executavel.exe Writed code of 12 bytes on offset 0x0000000000043924 of section #15 '/81' Após o código injetado, o pei insere um jump absoluto para o entry point original do executável, fazendo com que após o código injetado ser executado o fluxo de execução do programa continue normalmente.
      Outra modificação que o pei faz é desabilitar o dynamic base do executável, para evitar que o jump aponte para o endereço errado.
      Dica: Injetando Código Muito Grande
      Se você precisar injetar um código maior do que o espaço disponível apontado pela operação zeros, você pode dividir o código a ser injetado em várias partes e injetar cada parte por vez, seguindo a ordem da última até a primeira parte. Isso funciona porque o pei irá adicionar um jump no final do código para o endereço que está sendo indicado como entry point. Se você já injetou código antes, esse endereço é o endereço do código anteriormente injetado. 🙂
      Dessa forma você pode fazer um chain de saltos da primeira parte até a última e então saltar para o entry point original. Exemplo:
      $ pei inject -f parte-3.bin executavel.exe Writed code of 87 bytes on offset 0x0000000000043833 of section #15 '/81' $ pei inject -f parte-2.bin executavel.exe Writed code of 80 bytes on offset 0x0000000000044924 of section #11 '/23' $ pei inject -f parte-1.bin executavel.exe Writed code of 32 bytes on offset 0x0000000000401a15 of section #1 '.text' Isso irá criar a seguinte ordem de execução: parte-1.bin -> parte-2.bin -> parte-3.bin -> entry point. Onde as setas “->” representam os saltos.
      diff
      Esta operação exibe diferenças entre dois executáveis. Ela compara cada campo dos cabeçalhos do executável e o conteúdo das seções, e depois exibe estas diferenças no terminal. Você pode usar a opção -c (ou --color) para que a saída da operação seja colorida:

      Em vermelho são os valores no executável original que foram modificados e em verde são os valores novos no executável modificado.
      patch
      Essa operação lê um texto de entrada no mesmo formato que a saída da operação diff e replica as mesmas modificações no executável. Exemplo:
      $ pei patch executavel2.exe diff-output.txt Caso você não especifique um patch file, o pei irá ler de stdin. Assim, é possível que você faça um pipe entre uma operação de diff e patch:
      $ pei diff original.exe mod.exe | pei patch outro.exe A diferença de fazer isto e simplesmente fazer uma cópia do executável modificado, é que a ideia é replicar somente as diferenças entre os executáveis. Quaisquer outros campos não são tocados pela operação patch, o que te permite salvar alterações e replicá-las por meio de um script. 🙂
      Se você quiser, também é possível escrever um patch file manualmente, bastando imitar a saída de diff. Uma dica é que os valores dos campos originais (em vermelho) não são necessários para a operação patch, então você pode inserir somente os valores novos. Seguindo o print da saída do diff que utilizamos agora pouco como exemplo:
      optional.entry_point xxx 0x4ca33 section.0.name xxx .code section.15.characteristics xxx 0x62100040 // @O texto não faz diferença, só importa o @ no início da linha // Daqui para baixo qualquer linha que não inicie com + será ignorada. +0x43830 00 30 9f 61 62 63 0a b8 f0 14 40 00 ff e0 00 00 // O formato é: +0xoffset bytes em hexadecimal Nota: Onde há o “xxx” seriam os campos dos valores originais (em vermelho) que não são lidos pelo pei porém são necessários para imitar a saída da operação diff. Você pode colocar qualquer valor aí que não dará erro já que são ignorados.
      Você pode usar a operação patch em scripts para automatizar várias modificações em um executável ao mesmo tempo, inclusive em bytes de um determinado offset.
    • By Fernando Mercês
      Máquina virtual do Windows 10 para desenvolvedores, disponibilizada pela própria Microsoft com licença válida por 3 meses. Tem 20 GB o download mas ela já vem com o seguinte:
      Windows 10 Windows 10 SDK Visual Studio 2019 com UWP, .NET desktop e Azure workflows habilitados, além da extensão do Windows Template Studio Visual Studio Code Windows Subsystem for Linux com Ubuntu instalado Modo desenvolvedor habilitado Pode ser uma mão na roda pra criar uma VM de análise de malware. 
    • By Fernando Mercês
      Passei um tempo usando o Windows 10 depois de anos em Linux e macOS. Logo percebi dificuldades específicas com shell, instalação de programas, etc. Mas também percebi que é possível deixar o Windows muito próximo, no quesito de usabilidade, de um Linux com shell completo ou macOS. Neste artigo vou mostrar as ferramentas e configurações que mais me ajudaram. Boa leitura! 😉
       
      Gerenciador de pacotes
      Vou começar falando dele por um motivo muito simples: outros programas podem ser instalados com ele. Pois é, parece que a Microsoft aprendeu com as distros Linux e projetos como o Chocolatey, já que finalmente anunciou seu gerenciador de pacotes, o winget. Para instalar, baixe o arquivo com extensão .appxbundle na área de releases do repositório do projeto no Github. Após isso você pode abrir qualquer terminal (Command Prompt / cmd.exe ou Powershell) e digitar winget pra ver seu novo gerenciador de pacotes:

      Vamos buscar por exemplo os programas que que tenham a palavra "security" em seu nome ou descrição, para testar:

      Qualquer um desses programas pode ser instalado com um simples "winget install". Faça o teste com o Notepad++ por exemplo:
      winget install notepad++ Os comandos list (listar os programas instalados) e upgrade (atualizar os programas instalados) ainda são experimentais, mas você pode habilitá-los da seguinte maneira:
      Digite winget settings no terminal. Um arquivo settings.json se abrirá. Nele, adicione: "experimentalFeatures": { "list" : true, "upgrade" : true }, O meu aqui tá assim:

      A lista de programas disponíveis está aumentando cada vez mais, já que o winget é de código aberto. 🙂
       
      Terminal decente
      Mas na real, a primeira coisa de que senti falta foi um terminal decente. Graças a Deus encontrei o Windows Terminal. Para instalar com o winget (não se assuste - dá pra usar a tecla Tab para autocompletar):
      winget install Microsoft.WindowsTerminalPreview Aí olha só quem chega na festa:

      Este terminal concentra tudo em um: Prompt de Comando, Powershell e Linux (rodando via WSL), e é multi-abas. Claro que tá longe de um Terminator ou iTerm2, mas também tá longe de um cmd.exe né? Deus me livre e guarde! kkkk
      O novo Windows Terminal também tem uma configuração baseada em JSON e uns recursos interessantes como a divisão automática da janela do terminal. Ao apertar Alt+Shitft+D, olha o que acontece:

      terminal_split.mp4 A divisão da janela (split) funciona para janelas com qualquer shell.
       
      Hashes
      Eu sempre curti um software pra Windows chamado TotalHash, que adiciona os hashes de arquivos em suas propriedades, mas este infelizmente tem dois problemas: não é livre nem suporta plugins (logo, não consigo extender para suportar os hashes que preciso), é pago e não é scriptável. Resolvi isso com o cmdlet Get-FieHash do Powershell. Por padrão ele exibe o SHA-256 de um arquivo, mas há várias opções, como se pode observar na imagem:

       
      Sniffer
      Por essa nem o futuro esperava! O Windows 10 agora tem um sniffer nativo: o pktmon. Se liga:

      E sim, ele suporta filtros. Por exemplo, para logar somente pacotes IPv4 na porta 80/tcp:
      pktmon filter add HttpPuro -d ipv4 -t tcp -p 80 Você pode adicionar mais de um filtro se quiser e com qualquer nome (aqui chamei o meu de HttpPuro). Depois, é só iniciar a captura pedindo para logar os eventos:
      pktmon start --etw Para parar a captura, o comando é o stop:
      pktmon stop Por padrão o pktmon cria um arquivo chamado PktMon.etl num formato próprio. Este pode ser convertido para texto:
      pktmon format PktMon.etl -o log.txt Ou para o formato PCAP-NG, suportado pelo Wireshark e outros analisadores de pacotes:
      pktmon pcapng PktMon.etl -o capture.pcap Há várias outras opções que valem serem exploradas. É de fato um sniffer completo.
      Em breve vou falar mais sobre as seguintes ferramentas:
      PowerToys Sysinternals O novo diskusage.exe. WSL 2.0. Por hora é isso. Conforme eu encontre coisas novas, vou adicionando aqui. Se souber de alguma novidade ou algo que ache que precise ser citado aqui, por favor comente aí embaixo!
      Espero que seja útil para quem precisa usar o Windows por algum tempo, por qualquer motivo. 🙂
    • By Leandro Fróes
      Faz algum tempo que ando botando mais a mão na massa na parte prática da análise de malware e nos conceitos que a envolvem. Este fato somado com minha paixão por tomar notas nos meus estudos acaba resultando na criação de alguns relatórios. Com isto em mente, decidi colocar aqui a análise do último sample no qual trabalhei, de um ransomware chamado Nephilin.   Overview   O Nephilin é uma variante do Nefilim, um Ransomware que acabou ficando bem conhecido no mês de fevereiro/março devido ao fato de ser uma variante do conhecido Nemty, que costumava trabalhar com operações de RaaS (Ransomware as a Service - um modelo de negócio utilizado por criminosos que facilita muito a distribuição de Ransomwares. Basicamente o criador do malware recruta pessoas para usarem o Ransomware e recebe uma parte de seus lucros, facilitando assim a distribuição e a entrada de pessoas não experientes no crime). Por mais que as formas de operação sejam diferentes, há similaridades de código entre essas três famílias de malware.   Análise Estática   O sample analisado foi compilado para x86 e não possui nenhuma técnica que possa dificultar nossa análise como por exemplo packers/protectors e o uso de ASLR. No entanto, este binário é assinado com um certificado válido:     Olhando os imports podemos notar que a Import Directory Table possui apenas uma entrada, a da kernel32.dll, levantando a suspeita da utilização de runtime linking, ou seja, o loader não resolve o endereço das funções em tempo de carregamento, pois eles são resolvidos em tempo de execução:     Podemos suspeitar ainda mais pelo fato do nome algumas DLLs estarem na lista de strings do binário, assim como o nome de algumas funções que não são exportadas pela kernel32.dll:     Não vou me preocupar muito com esta parte estática da análise, tendo em vista que a ideia deste artigo é cair de cabeça em cada funcionalidade do malware, isto é, executá-lo e ir analisando seu comportamento.   Análise Dinâmica   A primeira função que o malware chama é a que vai criar todo o contexto de criptografia para gerar uma chave que será a chave utilizada para descriptografar a Ransom Note:       Dentro desta função existem várias funções que permitem trabalhar com criptografia no Windows. A primeira função criptográfica chamada é a CryptAcquireContext, responsável por criar um handle para um key container dentro de um Cryptographic Service Provider (CSP). Após pegar o handle, o tamanho de uma string é calculado para posteriormente se criar e retornar um Hash Object dentro do CSP criado anteriormente. Esta string tem 66 bytes de tamanho (0x42 em hexa) e é uma string lotada de "a".    A função CryptCreateHash cria o Hash Object especificando o tipo como SHA1 e, logo depois, a função CryptHashData tira o hash do que está dentro de um buffer de tamanho 66 bytes sendo passado como parâmetro:         Por fim, o SHA1 gerado é derivado, para a geração de uma chave RC4. Como podemos ver quase todas as funções estão sendo importadas dinamicamente. ?   O que acontece após a função que gera esta chave RC4 é a criação de um Mutex com o nome "sofos delaet sosos":     Em seguida, uma string em base64 aparece e é decodada com a função CryptStringToBinary, resultando em uma chave pública RSA:   "BgIAAACkAABSU0ExAAgAAAEAAQDNFw18bUF1x32DZaZt4gnQtAnv5XH60d9B6UgIbVfRdHPeyEljZLKlGBKFPTsh+8xsDHe/9vynuOlnuPt91grReMAwcTDVkxBh/PDkf3Jq0bnFgZAWbgMvGX6lApXTDcTArf4US63VI3z8YPyDNJwEvBEWI13ywob8ECLsrD/C6BPkYG0mBU1ccixzOgkgad0iDvwS/C8iyW1Mi0PCoBa+3TCTVwt0Zpy/HceV5U7SevG7RRN5HrErv54Ihg6kTPPhdxkYdO+CUND19aLqh8MAVLRuP5hR6b6r7cjBNAW2+USaaMyT/llNXdPdySbatLlH6Mau4z1eqzYc7hMB2f+6"       Há depois uma tentativa de pegar um handle para um CSP onde o key container tem o nome  "rsa session" e, sem sucesso, o binário cria um novo chamado "skr skr skr":     Agora a chave pública decodada anteriormente será importada para o contexto "skr skr skr":       Ações padrão da maioria dos ransomwares incluem desabilitar a checagem de erros durante o boot, desabilitar o modo de recuperação, deletar backups, etc. O Nephlin faz isso através de uma chamada à função ShellExecuteA() passando uma linha com o cmd.exe como parâmetro:   "C:\\asdfgsdgasd\\..\\Windows\\asdgagsahsfahfhasahfsd\\..\\System32\\cmd.exe" "/c bcdedit /set {default} bootstatuspolicy ignoreallfailures & bcdedit /set {default} recoveryenabled no & wbadmin delete catalog -quiet & wmic shadowcopy delete"     Aqui foi utilizada uma abordagem um tanto curiosa, tendo em vista que o malware considera diretórios que provavelmente não existirão no sistema de arquivos da vítima ("asdgagsahsfahfhasahfsd", por exemplo) e sobe um nível no filesystem utilizando ".." para acessar de fato o que importa, ou seja, o caminho real seria simplesmente "C:\Windows\System32\cmd.exe" ?   Neste momento acontece uma checagem em relação à como o malware foi executado na linha de comando. Se foi passado algum parâmetro, ele checa pra ver se é um arquivo ou diretório. Se for um arquivo, ele chama direto a função que encripta. Caso seja um diretório, ele chama a função que checa uma lista de exclusão dos tipos de arquivos que ele não quer encriptar e esta função chama então a função que encripta.   É interessante notar que com essas checagens o ransomware pode ser usado em diversos cenários e não simplesmente para encriptar o sistema completamente. Ex: para manualmente testar se ele está funcionando (antes da possível invasão), ser executado manualmente após a invasão visando diretórios/arquivos específicos, etc:     Se nenhum parâmetro for passado via linha de comando, o binário começa a mapear os drives que estão no sistema e pegar seus tipos, buscando especificamente por drives fixos, removíveis (pen drives, etc) e mapeamentos de rede:     Após pegar o drive o seu nome é concatenado com a string "NEPHILIN-DECRYPT.txt", à fim de criar a Ransom Note na raiz do Drive em questão:     Após a chamada à CreateFile, podemos ver a Ransom Note sendo criada, mas vazia por enquanto:     Antes do conteúdo ser de fato escrito no arquivo, ele precisa ser decodado, tendo em vista que é uma string em base64 (sim, outra string em base64):     Abaixo está o buffer que contém o conteúdo da Ransom Note em base64:     Após decodar o base64 o buffer aparenta estar encriptado, e de fato está:     A função CryptDecrypt utiliza a chave RC4 gerada anteriormente para decriptar o conteúdo do buffer em questão. Podemos ver o conteúdo em clear text após a execução da função:     Por fim podemos ver a função WriteFile, que irá escrever o conteúdo no arquivo "NEPHILIN-DECRYPT.txt" criado anteriormente:       Agora que a Ransom Note foi criada, o processo de criptografia começa. O meio utilizado é através da criação de outra thread, isto é, para cada drive encontrado, uma nova thread é criada. A função CreateThread recebe como parâmetro para indicar seu início o endereço de uma função, que por sua vez chama a função que checa a lista de exclusão e depois começa a criptografia. Além disso, o nome do drive escolhido no momento é passado como parâmetro para esta função.

      Esta lista de exclusão é basicamente um lista que contém nomes de arquivos, diretórios e extensões das quais o malware não irá encriptar. Para cada arquivo encontrado o malware irá comparar com as especificações desta lista e, caso não bata, a função de criptografia será chamada:           Criptografia   A criptografia pode começar de 3 formas diferentes, como mencionado anteriormente: passando um arquivo como parâmetro pela linha de comando, passando um diretório ou mapeando os drives e criando threads.   Um trecho da função que faz as devidas checagens pode ser observada abaixo:     Se o arquivo checado não estiver na lista de exclusão, a função de criptografia é chamada:     O processo de criptografia se inicia com a abertura do arquivo em questão e a obtenção do seu tamanho. Depois disso, há duas chamadas para a função SystemFunction036 para gerar números aleatórios. Basicamente esta função é um alias para a função RtlGenRandom, que recebe como parâmetro um buffer e o tamanho do número aleatório que você quer gerar. O tamanho escolhido são 16 bytes (0x10):       Tendo 2 buffers de 10 bytes de tamanho cada, com os devidos números aleatórios gerados anteriormente, há duas chamadas à CryptEncrypt, uma para cada buffer. Aqui a chave pública RSA é utilizada para encriptar o buffer em questão, resultando em outros dois buffers de 256 bytes cada.       O conjunto de funções a seguir faz a mesma operação, mas apontando para lugares diferentes. A função SetFilePointerEx é utilizada para apontar para o fim do arquivo (baseando-se no tamanho obtido anteriormente) e depois a função WriteFile é utilizada para escrever os 256 bytes encriptados lá. A próxima chamada à SetFilePointerEx agora aponta para o fim do arquivo + 256 bytes e então escreve o segundo buffer encriptado onde o ponteiro está apontando.       Neste momento as checagens de tamanho de arquivo começam, assim como as chamadas de função e loops que envolvem a criptografia.   A primeira checagem feita é se o arquivo é maior que 64MB e, caso seja, as funções que criptografam o arquivo começam a ser chamadas de 125KB em 125KB. Caso o arquivo seja menor há uma outra checagem para ver se ele é menor que 1.2MB e caso ele não seja as funções de criptografia rodam em cima de 600KB apenas e finalizam. Caso o arquivo seja menor que 1.2MB ele é encriptado "de uma vez" e depois finaliza.         Para cada arquivo é gerada uma chave randômica com a função SystemFunction036 e depois esta é encriptada com a chave RSA pública. Esta abordagem dificulta bastante a criação de um decryptor, tendo em vista que a chave será sempre aleatória. Por outro lado, se tivemos a chave RSA privada em mãos a aleatoriedade não teria efeito nenhum pois para cada arquivo teríamos a chave responsável pela sua criptografia.   Por fim a extensão ".NEPHILIN" é adicionada ao arquivo aberto:             Uma coisa importante a se notar é que se a criptografia foi executada para um arquivo ou diretório específico tanto a Ransom Note quanto o wallpaper do Ransomware não são criados. Podemos observar que as funções de mapeamento de drives (que contém a criação da Ransom Note) e criação do papel de parede são ignoradas devido ao salto incondicional JMP:     E por fim...   Considerando ainda que não foram especificados arquivos e diretórios, a função responsável por criar a imagem do papel de parede é chamada. Há várias funções aqui e estas utilizam funções gráficas do Windows para editar a imagem em questão:     Uma das funções chamadas nesta função responsável por criar a imagem é justamente a função de decoda o base64 da Ransom Note, pois o que é escrito no papel de parede é a mesma coisa da Ransom Note. Após várias funções gráficas para preparar a imagem o arquivo é finalmente criado em %TEMP%, com nome god.jpg e seu conteúdo é escrito no arquivo:           Após configurar a imagem como papel de parede, o malware chama sua última função, que é responsável por fechar todos os handles e contextos de criptografia ainda pendentes:     Depois disso, o processo simplesmente sai retornando 0.   Lista de exclusão:   NEPHILIN-DECRYPT.txt $RECYCLE.BIN NTDETECT.COM MSDOS.SYS IO.SYS boot.ini AUTOEXEC.BAT ntuser.dat desktop.ini CONFIG.SYS BOOTSECT.BAK program files program files (x86) windows ntldr RECYCLER bootmgr programdata appdata .dll .NEPHILIM .exe .log .cab .cmd .com .cpl .ini .url .ttf .mp3 .pif .mp4 .msi .lnk   Espero que o estudo desta análise seja proveitoso assim como foi para mim e qualquer dúvida/feedback estou à disposição!   Abraços!
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