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    O que fazer com o C que se aprendeu na faculdade

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    Fernando Mercês

    Introdução

    Em muitas faculdades brasileiras a linguagem C é ensinada aos alunos de cursos de tecnologia. Mesmo assustando os novatos, vários alunos resistem e vencem a matéria. O problema é entender por qual motivo o C foi escolhido para iniciar o curso de programação. Seria uma linguagem didática para se aprender a programar? Um teste para ver quem tem ou não o “jeito pra coisa”? Alguns diriam que o correto seria começar com Pascal, mas há quem defenda linguagens mais modernas como Python, Perl, Ruby ou PHP. E aí, para que serve o C no primeiro período? Neste artigo farei uma análise sobre o que se aprende da linguagem, o motivo pelo qual ela surge no início do curso, seu valor de mercado e o que é possível fazer com esse start que a faculdade nos dá.

    A linguagem C

    A importância histórica da linguagem C é inegável e dispensa maiores comentários. Sabemos que até hoje a maioria dos softwares mais poderosos são feitos em C e/ou C++ (um super conjunto de C, orientado à objetos). O kernel Linux e outros núcleos de SOs são feitos basicamente em C. Muitos drivers de dispositivos como placas de rede, som, vídeo etc são feitos em C. Se contarmos o C++ nesta conta, chegamos perto de 100% dos kernels e drivers. Os interpretadores e compiladores das principais linguagens de programação também não fogem à regra e são feitos em C. Existe uma frase que afirma: metade do universo é feito em C. E é bem verdade. Pelo visto, a linguagem serve para alguma coisa…

    Ensino da linguagem C

    Você acabou de entrar na faculdade, está tendo aulas desta linguagem e não está entendendo nada? Não se preocupe, você não está sozinho. Algumas instituições de ensino acham que C é uma liguagem didática, quando não é. Para se aprender a programar, usa-se pseudo-linguagem, PORTUGOL e ferramentas do gênero. Nem mesmo o Pascal, considerado mais fácil de se aprender que o C, é atraente ou interessante à primeira vista. O grande monstro que aterroriza o aluno é a pergunta: “Por que eu vou fazer isso? Para que?”. Pois é, para que escrever um programa em C que calcule a média de três alunos e imprima na tela? Qual a lição tirada disso? A resposta é simples: nenhuma. A maneira como a linguagem é lecionada tenta empurrar o C guela abaixo em estudantes que viram, por exemplo, Visual Basic e Delphi no segundo grau. Isto é, se é que estudaram tais linguagens ou lembram-se delas. Não poderia dar certo mesmo.

    Antes de criar um programa, o aluno tem que saber o que está fazendo. O que é um programa, para que serve isso, o que é um arquivo executável, um binário, bits, bytes, o processador, dentre outros conceitos importantíssimos antes de se escrever o primeiro “Hello World”.

    O resultado do ensino forçado é o alto íncide de reprovação, abandono, mudança de curso e desistência. É comum encontrar alunos que estão no fim do curso de programação mas ainda não passaram nas matérias mais básicas de C. É o terror da faculdade. Definitvamente, a linguagem C vira uma vilã e a frase mais ouvida nos corredores sobre o assunto é que “C é chato”.

    Por que a linguagem C é chata?

    Porque ela não te mima. Numa escala onde o nível mais alto é o mais próximo da linguagem usada pelo ser humano e o mais baixo, da linguagem usada pelos microprocessadores, a linguagem C é considerada de nível médio. Assembly, por exemplo, é de baixo nível, enquanto Object Pascal (usada no Delphi), de alto nível. Isso significa que para programar em C é preciso conhecer conceitos mais próximos do hardware, que as linguagens de alto nível abstraem para o programador, tornando o trabalho mais fácil. Por isso temos a impressão de que C é chato, difícil, sem sentido. Realmente, sem os conceitos básicos de computação bem sólidos, um código em C pode tornar-se incompreensível. Vejamos um exemplo.

    Um código em PHP (alto nível) para se declarar uma variável e armazenar uma frase nela:

    <?php
    $str = Essa é minha string”;
    ?>

    Um código equivalente em C, seria:

    void main(void)
    {
    	char str[] = Essa é minha string”;
    }

    No código em C, uma função teve de ser escrita (a main, que é a função principal de um programa), inclusive com seu tipo de retorno e parâmetros, onde usei void para não retornar nem receber nada. Além disso, foi criado um vetor de caracteres (char) para armazenar a frase. Em C, entende-se como string um vetor de caracteres (ou ponteiro para um conjunto deles) onde o último caracter é o NULL, código 0x00 na tabela ASCII. Tá vendo por que se precisa dos conceitos de computação até para começar uma frase em C? Agora perceba a jogada:
     

    #include <string.h>
    
    void main(void)
    {
    	char str[21];
    	strcpy(str, Veja, sou uma string”);
    }

    A função strcpy(), fornecida pelo header string.h, copia caracteres para uma variável do tipo vetor (ponteiro, na verdade, mas isto é outro assunto) de caracteres e adiciona um caractere nulo (NULL), zerado, na última posição. Perceba que iniciamos o vetor de char com 21 posições, para abrigar os 20 caracteres da frase proposta mais o NULL, que é um caractere só. As coisas começam a fazer sentido, apesar de “feias”, não?

    E assim é o C. Exigente, porém elegante. Se tem os conceitos de computação, sem dúvida não terá grandes dificuldades com a linguagem.

    Usando o C na vida e no mercado de trabalho

    Certo, você se convenceu de que C é legal de aprender, poderoso e aprendeu. E agora, faz o quê? Tem um colega seu ganhando dinheiro fazendo sites em Ruby on Rails. Outro faturando uma grana fazendo sistemas em Delphi para clientes, com imagens, botões brilhantes e multimídia. O que você, recém-estudado programador em C vai fazer com aquela tela preta pedindo dados com scanf()? Nada. Não é assim que se trabalha com C, ou pelo menos, não mais. Já foi o tempo em que os sistemas eram feitos dessa maneira. Além disso, mesmo nesse tempo a linguagem C foi rapidamente substituída neste meio pela linguagem CLIPPER no mundos dos PCs e pelo COBOL, nos mainframes.

    O forte do C hoje são aplicações desktop, inclusive as baseadas em rede e daemons (serviços). C também é útil para escrever compiladores e interpretadores para outras linguagens, por exemplo. Sabia que o PHP é escrito em C? Pois é, assim como Python, Ruby, BASH e muitos outros interpretadores. Então tem alguém ganhando dinheiro com C por aí, concorda?

    Vale a pena citar também o desenvolvimento embarcados, para microcontroladores e vários microprocessadores, incluindo ARM (usado em vários aparelhos Android).

    Em novembro do ano passado houve uma edição de um evento chamado Universidade Livre em que Olivier Hallot, diretor da ALTA (antiga BrOffice.org) falou durante alguns minutos numa faculdade carioca da dificuldade de encontrar programadores para contratar e fez um apelo para que os alunos levem a sério que o mercado está muito carente de bons programadores, principalmente em C/C++. Também em setembro do ano passado uma empresa publicou uma vaga no Rio de Janeiro buscando um profissional com os seguintes conhecimentos:

    • Sistema Operacional Linux;
    • Banco de dados MySQL;
    • Criação e manutenção de tabelas, relacionamentos, scripts, etc.;
    • Linguagem C, e das APIs: (V4L2), GTK, além de OpenGL;
    • Adobe Flex.

    O salário inicial era de R$ 5.000,00. A vaga deve estar aberta até hoje…

    Em dezembro de 2011, uma grande operadora telefônica abriu nada menos que 20 vagas para desenvolvedores em C no Rio de Janeiro. Empresas que atendem infraestrutura, telecomunicações, embarcados, móveis, desenvolvimento do Linux e kernels derivados também precisam muito de programadores deste tipo. Enfim, vagas não faltam!

    Então por que aprendo Java na faculdade?

    A faculdade tenta ser a mais moderna possível, mas esquece de verdadeiramente orientar na profissão. Java é uma linguagem potente, flexível e poderosa mas tem um fim completamente diferente da linguagem C. Com Java se programa para web, dispositivos móveis, aplicações locais (pouco usada), sistemas de informação, embarcados etc. A flexibilidade é enorme, mas o foco é outro. Não se faz uma suíte de aplicativos em Java, simplesmente porque existe o C pra isso. Um sniffer de rede ou um software ping, por exemplo, são feitos em C, porque C é pra isso. Já uma interface de um aparelho GPS, é feita em Java. Questão de adeqüação. O mercado de Java é tão grande quanto o de C no mundo, mas é maior no Brasil. No entanto, o que não pode é a faculdade tratar a linguagem C como uma introdução à programação, para que o aluno depois aprenda Java. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. São dois nichos completamente diferentes e em ambos os casos, é possível conseguir um bom emprego e alavancar na profissão, tanto aqui quanto fora.

    Minha faculdade usa Python para ensinar a programar. É legal?

    Não creio. Python é super divertido e viciante mas não exige os conceitos de computação que todo programador deve ter. A resposta é a mesma para todas as linguagens de alto nível. Como escrevi anteriormente, se começa a programar com uma pseudo-linguagem, para desenvolver a lógica. Antes do estudo de programação médio/alto nível, é preciso estudar computação, do ponto de vista da arquitetura em si (que vai incluir Assembly, SO etc) e aí sim, subir de nível. Se bem gerenciado, é possível manter estas disciplinas em paralelo, mas o programa deve ser cuidadoso (o que as instituições não andam respeitando – Eu já vi projeto de bancos de dados no segundo período. O aluno, teoricamente, nunca usou uma mysql.h ou outras bibliotecas para acesso a SGBD’s em outras linguagens).

    Quem aprende direto no alto nível e se dá bem, ótimo – e está de parabéns. Mas o objetivo do artigo é trazer a linguagem C à tona e não competir com outras linguagens.

    Venho comprovando a tese de que aprender “de baixo para cima” dá certo. Já consegui fazer um amigo escrever um programa em Assembly do zero para calcula a média de alunos. Aí sim ele viu o que é obter dados do teclado, calcular e exibir. Teve de entender por completo a tabela ASCII, uso de registradores gerais, syscalls e interrupções de software. Quando foi para o C, não teve o menor problema.

    E o que dá pra fazer com o C aprendido na faculdade?

    Só com ele, não muita coisa, mas com um pouquinho de pesquisa e afinco, gera-se resultados. Um exemplo é o grupo Coding 40°, onde eu e mais três alunos do curso de Ciência da Computação nos unimos para estudar e acabamos desenvolvendo um pequeno software, capaz de imprimir informações sobre executáveis PE (.exe, .dll etc) na tela. Nada complicado, agora que já está pronto. rs

    Sabe quando você está no Windows e vai nas propriedades de um .exe ou .dll e há uma aba “Versão” como na imagem abaixo?

    1-versao-tab.png.8b374d53e2115d14146a1127a8d6e160.png

    A proposta inicial era criar um software capaz de conseguir essa informação, recebendo como entrada o caminho do arquivo executável. O software deveria funcionar no Linux, já que nesse SO não é possível ver esta aba “Versão” nas propriedades dos executáveis de Windows, obviamente. Foi aí que fizemos o pev. Hoje ele já exibe várias outras informações sobre o executável além da versão.

    Conclusão

    Estudar C, C++, Assembly e outras linguagens tidas como “terríveis” é, sem dúvida, uma boa pedida. Há inúmeros projetos no mundo todo precisando de bons programadores nessas linguagens. Não encare o “C de faculdade” como um vilão ou uma introdução à programação porque não é. A linguagem C é uma linguagem poderosa e comercial. Nada de dizer que C é coisa de maluco.

    Ainda não sabe o que fazer com C? Está em dúvida sobre seus aspectos modernos? Nós temos um curso de programação moderna utilizando a linguagem C para você :)

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    • By Fernando Mercês
      Dia 02/04/2019 (terça) tivemos o lançamento oficial do Visual Studio 2019, com o anúncio de inúmeras novidades envolvendo o desenvolvimento de soluções baseadas em tecnologias como Azure DevOps, .NET Core, ASP.NET Core, C# e PowerShell.

      Assim como aconteceu em outras ocasiões, a Microsoft novamente fará uma parceria com comunidades técnicas através da realização de eventos locais.

      O DevOps Professionals em conjunto com a FC Nuvem também participa desta iniciativa, com um EVENTO PRESENCIAL e GRATUITO 

      Programação prevista (grade sujeita a alterações):

      - Novos Recursos para Debugging no Visual Studio 2019 + Suporte a Docker no .NET Core 3.0 - Renato Groffe (Microsoft MVP)

      - Dicas e truques com Azure e Azure DevOps no Visual Studio 2019 - Vinicius Moura (Microsoft MVP)

      - Colaboração Contínua com o Visual Studio Live Share - Milton Câmara Gomes (Microsoft MVP)

      - Indo além de ambientes Windows com PowerShell Core, Linux e Visual Studio Code - Ewerton Jordão (.NET SP, SampaDevs)

      Acompanhe e apoie esta iniciativa, divulgando e indicando o Visual Studio 2019 Launch para amigos e colegas de trabalho!
      Mais informações: https://www.sympla.com.br/visual-studio-2019---lancamento---devops-professionals--fc-nuvem__525409
    • By julio neves
      Livro do Julio Cezar Neves com dicas importantes (e raras de serem encontradas) sobre shell, incluindo sincronismo de processos, novidades do Bash 4.0, uso do ImageMagik e YAD (o melhor da categoria dos dialog da vida). Vale ler cada palavra. 🙂
    • By Candeer
      Olá, já faz um bom tempo desde do ultimo artigo sobre a construção de debuggers mas, sem mais delongas, vamos dar continuidade a esta série! 😀 
      Neste artigo iremos falar um pouco sobre uma chamada de sistema que é capaz de controlar quase todos os aspectos de um processo: a syscall PTRACE (process trace). Antes de continuarmos, vale ressaltar que todo o código utilizado neste artigo está disponível no repositório do Github.
      De acordo com o manual do Linux (man ptrace), a syscall ptrace é definida assim:
      "A syscall ptrace provê meios para que um processo (denominado "tracer") possa observar, controlar a execução de um outro processo (denominado "tracee"), examinar e modificar a memória e registradores do "tracee". É primariamente utilizado para a implementação de 'breakpoint debugging' e para rastreamento de syscalls".
      Em outras palavras, podemos utilizar a ptrace para controlar um outro processo sobre o qual termos permissões sobre!
      Por exemplo, execute:
      strace /bin/ls O comando "strace" acima, é utilizado para que se possa rastrear todas as syscalls que um programa realiza. Vale lembrar que toda a técnica utilizada para o rastreamento de syscalls envolve o conteúdo abordado nos artigos anteriores, então é de suma importância que você tenha lido (ou saiba) o primeiro artigo sobre Sinais e o segundo sobre Forks.
      Antes de começar a rastrear um dado comando, o strace precisa ter controle total sobre a execução do processo alvo, para isso é feito um fork do processo em questão e o mesmo é "traceado". Voltaremos neste assunto em breve.
      A wrapper da ptrace é definida em <sys/ptrace.h> e tem o seguinte protótipo:
      #include <sys/ptrace.h> long ptrace(enum __ptrace_request request, pid_t pid, void *addr, void *data); Onde o primeiro argumento request é um enum onde cada valor define uma ação em cima do "tracee", tais como TRACEME, GETEREGS, SETREGS e etc. O segundo argumento, pid, é o PID (Process Identification) do processo que queremos "tracear", o terceiro argumento addr é um endereço para alguma interação que a ser realizada da memória do processo "traceado" e o quarto e último argumento data é algum tipo de dado passado para o processo.
      Agora que você ja conhece o formato desta syscall, vamos fazer um pequeno breakdown do comando "strace".
      Execute:
      strace strace /bin/ls 2>&1 | grep -A2 clone Por mais bizarro que o comando acima pareça, o que vamos fazer aqui é rastrear todas as syscalls que o strace faz usando o próprio strace! Como a saída padrão do strace não é o stdout (dê uma lida em standart streams, caso esteja confuso) então é primeiro redirecionar a saída de erro para a saída padrão, para que seja possível rodar o grep no que queremos.
      Estamos buscando aqui, alguma chamada a syscall clone, que é sempre chamada quando é feito um fork. A chamada à ptrace vem logo em seguida:
      clone(child_stack=NULL, flags=CLONE_CHILD_CLEARTID|CLONE_CHILD_SETTID|SIGCHLD, child_tidptr=0x7f7c4aa8ea10) = 16203 ptrace(PTRACE_SEIZE, 16203, NULL, 0) = 0 Nesse caso, o strace cria um processo filho e em seguida usa o ptrace com o argumento SEIZE para iniciar o rastreamento (tracing) de um processo sem interrompê-lo, como analisaremos em seguida. Dessa maneira o strace é capaz de interceptar cada chamada de sistema feita pelo processo!
      Dê uma olhada no comando ltrace, que diferente do strace, rastreia todas as chamadas à bibliotecas (libraries trace) e tente fazer o mesmo que fizemos acima!
      Algumas ações notáveis que podemos fazer com a ptrace:
      PTRACE_PEEKTEXT, PTRACE_PEEKDATA Ler uma word em um dado endereço. PTRACE_POKETEXT, PTRACE_POKEDATA Copiar uma word para um determinado endereço (injete dados na memória). PTRACE_GETREGS Ler os registradores de um processo, que será guardado na struct user_regs_struct em <sys/user.h>. PTRACE_SETREGS Escrever nos registradores de um processo (também no formato da struct acima). Execute "man ptrace" para uma abordagem mais detalhadas de todos os valores disponíveis. 👍
       
      Implementando um simples tracer
      Agora que já temos uma base de forks e uma ideia de como o ptrace funciona, podemos unificar os dois e tenho certeza que o ptrace irá ficar mais claro. A partir de agora ele é fundamental para a implementação do nosso debugger.
      O primeiro passo é definir o escopo de como será feito o nosso "tracer": vamos rastrear um processo que já esta sendo executado ou vamos criar um novo? Para o nosso debugger, iremos apenas criar um fork e trocar sua imagem de execução para a do programa que queremos debugar, usando uma das funções da família exec.
      Primeiro vamos usar a função execl, que faz parte do leque de funções exec (man 3 exec) que trocam a imagem do nosso processo por outra, ou seja, o nosso programa é realmente trocado por outro em uma execução.
      A função execl é definida como:
      #include <unistd.h> int execl(const char *pathname, const char *arg, ... /* (char *) NULL */); Onde o primeiro argumento pathname é caminho completo do nosso executável alvo e os demais argumentos, que podem ser vários, são os argumentos para o programa que será executado.
      Para seguir um padrão, o primeiro argumento que geralmente colocamos é o caminho do programa em questão (lembrem que no array argv a posição 0 guarda o nome do programa em si), o resto dos argumentos são opcionais e seguem no modelo de lista de argumentos que são delimitados por um argumento NULL, que geralmente usamos para finalizar a lista.
      Agora considere o seguinte exemplo:
      #include <unistd.h> #include <stdio.h> int main(int argc, char* const* argv) { if (argc < 3) { printf("Usage: %s <command> <args>\n", argv[0]); return 1; } const char* command = argv[1]; char* const* args = &argv[1]; printf("First arg => %s\n", args[0]); execv(command, args); puts("Continua?\n"); return 0; } Compile com
      $ gcc -o exec exec.c $ ./exec /bin/ls -lah Este programa bem simples demonstra como a exec funciona.
      O que acabamos de criar aqui foi uma espécie de wrapper para qualquer comando: ele irá pegar o nome do comando e os seus respectivos argumentos e trocar sua execução atual pela a que você especificou.
      Note também a string "Continue?" que deveria ser impressa na tela. Esta nunca será impressa pois o nosso programa virou de fato, outro.
      Interessante, não? Usando um pouco de criatividade, podemos criar novos processos filhos combinando forks + exec, ou seja, criamos um fork do nosso processo e trocamos sua imagem por outra! Dessa maneira, por exemplo, temos total controle sobre o comando ls.
      Modificando um pouco o código acima e seguindo a ideia de forks, temos:
      #include <stdio.h> #include <sys/types.h> #include <sys/ptrace.h> #include <unistd.h> int main(int argc, char* const* argv) { if (argc < 3) { printf("Usage: %s <command> <args>\n", argv[0]); return 1; } const char* command = argv[1]; char* const* args = &argv[1]; pid_t child_pid = fork(); // Neste ponto, todas as variaveis sao copiadas para o nosso fork // o fork NAO recebe as mesmas variaveis, apenas uma cópia ;) if (!child_pid) { // Hora de transformar nosso fork em outro programa ptrace(PTRACE_TRACEME, NULL, NULL, NULL); execv(command, args); } char in; do { puts("Iniciar processo ? [y/n]: "); in = getchar(); } while (in != 'y'); ptrace(PTRACE_CONT, child_pid, NULL, NULL); return 0; } Compile
      $ gcc -o fork_exec fork_exec. $ ./fork_exec /bin/ls O programa acima realiza os primeiros passos do nosso tracer: é passado o caminho de um programa e os argumentos para o mesmo. Com isso criamos um fork e usamos o ptrace no própio fork com o argumento TRACEME. Este parâmetro indica que o este processo será "traced" pelo seu processo pai. Em seguida trocamos a nossa execução para o nosso programa alvo. Neste momento temos total controle sobre a execução, no exemplo acima, do comando ls.
      Quando um processo inicia sua execução com TRACEME + exec, o mesmo recebe um sinal de interrupção (SIGTRAP) até que o seu processo pai indique que ele deve continuar sua execução. Por isso, o nosso processo pai, que retém o PID do processo filho, usa o ptrace com o argumento CONT para que seja enviado o signal para dar continuidade de execução.
      E depois?
      Agora toda a comunicação entre os processos pai e o filho se dará via sinais e usaremos a syscall wait constantemente.
      Lembra que definimos acima algumas funções que podemos usar em conjunto com a ptrace? Para já irmos adiantando alguns artigos, vamos fazer um programa que mostra o estado dos registradores para um processo, passo a passo. Vamos usar dois parâmetros para a ptrace: GETREGS e STEP. Segue o código:
      #include <stdio.h> #include <string.h> #include <stdlib.h> #include <unistd.h> #include <sys/types.h> #include <sys/ptrace.h> #include <sys/user.h> #include <sys/wait.h> void display_regs(struct user_regs_struct* regs) {     printf("RIP: 0x%x\n", regs->rip);     printf("RBP: 0x%x\n", regs->rbp);     printf("RSP: 0x%x\n", regs->rsp); } int main(int argc, char* const* argv) {     if (argc < 2) {         fprintf(stderr, "Usage: %s <program_path>\n", argv[0]);         return 1;     }     const char* progName = argv[1];          pid_t child = fork();     if (!child) {         ptrace(PTRACE_TRACEME, NULL, NULL, NULL);         execl(progName, progName, NULL);     }          int status;     int options = 0;     int signal;     // Estrutura que mantem os registradores     struct user_regs_struct regs;     /// Capta primeiro sinal de parada do filho     waitpid(child, &status, 0);     signal = WSTOPSIG(status);     if (signal == SIGTRAP) {         printf("Processo alvo %s esperando pronto para iniciar\n\n", progName);     }          printf("Executando 10 instruções\n");     for (int i = 0; i < 10; ++i) {         printf("Passo: %d\n", i+1);         // Executa uma instrução         ptrace(PTRACE_SINGLESTEP, child, NULL, NULL);         // Espera sinal do filho         waitpid(child, &status, 0);         // Copia o estado atual dos registradores         ptrace(PTRACE_GETREGS, child, NULL, &regs);         // Função local para imprimir os principais registradores         display_regs(&regs);         puts("\n\n");     }     puts("Continuando...\n");     /// Continua execução     ptrace(PTRACE_CONT, child, NULL, NULL);     waitpid(child, &status, 0);     printf("Filho saiu com %d\n", WIFEXITED(status));     return 0; }  
      Compile:
      $ gcc -o tracer tracer.c $ ./tracer /bin/ls O código acima, além de criar e rastrear o processo, executa as primeiras 10 instruções e copia os estados dos registradores em cada passo. Logo após, continua a execução do programa normalmente.
      A estrutura user_reg_struct, definida em <sys/user.h>, contém todos os registradores que estão disponíveis na sua arquitetura. O código foi escrito considerando um ambiente x86-64.
      Com o estudo da ptrace, fechamos toda a introdução para construirmos o nosso debugger de fato, que vamos começar a desenvolver no próximo artigo, incialmente com capacidade de por breakpoints, imprimir o atual estado dos registrados e executar instrução por instrução do processo.
      Qualquer dúvida ou correção sinta-se livre de por nos comentários!  😁
      Links úteis:
      Process control Process relationship Code injection with ptrace Sinais Fork Até a próxima!
    • By void_
      https://bookauthority.org/books/new-networking-books
      E aí, concordam com a lista acima? Confesso que muitos títulos me chamaram a atenção, mas antes de fazer algum movimento imprudente ($$), gostaria de ouvir alguma opinião de alguém que possa ter tido a oportunidade de ter comprado, lido, analisado, etc., um ou mais dos títulos da lista. Se alguém puder fornecer algum pdf, mesmo que seja prévia, também serei grato.
      P.S: Os livros de C e Python particularmente me interessaram...
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