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  • Revertendo Firmware - Conversando com o seu $device

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    barbieauglend

    No artigo anterior, discutimos como encontrar informações importantes para se comunicar com seu dispositivo. Neste, vamos falar sobre uma abordagem genérica antes de reverter o código do firmware de fato.

    Objetivos

    A coisa mais importante durante o processo a partir de agora  é saber quais perguntas você quer responder. Se você começa a querer entender tudo, sem focar, no final acaba perdido numa montanha de informações sem sentido.

    Dê uma de Jack, O Estripador clássico: entenda tudo, mas por partes. Eu normalmente começo procurando o protocolo de comunicação no caso dele não estar documentado. Após isso quero entender geralmente o algoritmo usado para autenticação ou o gerador de senhas ou algo que me dê acesso a dados interessantes que possam ser usados em outros $hardware iguais. Normalmente a segurança de sistemas embarcados não é muito boa nisso: todos os hardware precisam de alguma forma de identificação única presente no firmware. Como você solucionaria o problema pensando em larga escala?

    Conversando com o seu $sistema

    A melhor parte e o principal diferencial da análise de hardware é ter o bare metal (o equipamento físico) nas suas mãos. Ter acesso aos sinais eletrônicos, poder medir frequências e VER como o sistema trabalha (adicionar LEDs em todos os circuitos possíveis e adaptar a frequência por exemplo, sempre lindo!) são coisas que fazem o coração palpitar bem mais do que algumas linhas de código. Acredite 😉 Sem muita informação prévia e com alguns equipamentos baratos, é possível obter dados interessantes para a análise. Poderíamos começar a controlar o tráfego de dados usando o analisadores lógicos simples e ao mesmo tempo podemos usar equipamentos mais avançados para medir o consumo de energia no processo de inicialização do hardware com tanta precisão, que poderíamos deduzir possíveis valores de chaves privadas - é pura ciência, física 💚 - e claro que funciona em condições ideais, como aprendemos na escola.

    Fluxo de dados na PCB

    Não adianta muito ter dados se você não pode ler, escrever ou transferi-los de alguma maneira. Olhar a placa deve ser suficiente para entender como o fluxo de dados ocorre, simplesmente pensando na posição do CI (Circuito Integrado) e das marcas na PCB, ou seja, na placa. Outra coisa importante: quase todas as plaquinhas têm uma datasheet voando na !nternetz e acessível publicamente, contendo toda a informação técnica (da pinagem, voltagem e o PROTOCOLO DE COMUNICAÇÃO). Sempre vale a pena usar o DuckDuckGo antes de começar a ter dores de cabeça por algo que esta documentado, certo?

    Vamos começar sem gastar muito $$$:

    Procure a fonte!

    Quem esta começando agora pode não ter todas as ferramentas disponíveis ou não ter acesso a uma oficina / laboratório. Por isso, vamos dump o código direto do hardware e abrir mao do contexto - que teríamos no caso da leitura dos dados no hardware - mas economizaremos dinheiro e teremos acesso a toda informação possível do $device. 

    Acesso ao firmware e memória

    Dumpe o código do CI e o descomprima. Essa é a parte mais fácil e mais difícil de todo o processo, mas para isso você não precisa de nenhum equipamento e pode usar várias ferramentas de graça (algumas inclusive de código aberto).

    Como eu falei anteriormente, é possível achar na Internet os datasheets (documentação completa, normalmente em PDF) de quase todos os dispositivos. Ache a datasheet para o seu CI e assim não terá necessidade nem de identificar a pinagem nem de reverter o conjunto de instruções necessárias para a comunicação. Algo também importante é saber como parar a comunicação entre o seu CI e os outros pontos de comunicação da placa, pois isso pode interferir na leitura dos dados. Como interromper o fluxo de dados depende bastante do circuito que você esta analizando.

    Mas eu preciso desoldar?

    Esse seria o caminho mais óbvio certo? Não quer interferência, desconecte seu CI da placa e vai para o abraço. Esse método te dá controle total sobre o seu CI 🙂 O problema aqui é que esse processo requer experiencia e TEMPO.

    A ideia deste artigo é para ser algo mais simples e barato, então tente evitar essa situação e pense em ideias mais "criativas". Normalmente é possível conectar os dispositivos num osciloscópio ou voltímetro para monitorar e ter certeza que não há interferência dos sinais de cada pino do CI. Fique atento nos outros componentes, se algum tráfego de dados está ocorrendo (instale por exemplo um monitor na outra porta UART). Se algum tráfego ocorrer, daí não tem outro jeito a não ser desconectar o seu CI - use um fim de semana. 🙂

    Assim que o seu CI estiver isolado, conecte ele a qualquer aparelho que "fale" o mesmo protocolo e comece a ler a memória bloco por bloco. Isso pode demorar, por isso aconselho quando começar a leitura, vá a cozinha e faça um café! 🙂

    Dumping os dados

    Criar suas próprias ferramentas pode ser super divertido, mas custa tempo e é bem mais fácil quando você sabe o que está procurando. Por enquanto, podemos usar vários projetos de código aberto disponíveis:

    Para fazer o dumpflashrom é uma das ferramentas populares. É facil de usar, cheia de bugs mas tem suporte para várias arquiteturas diferentes. Funciona muito bem no Rasperry Pi. 🙂

    Normalmente vale a pena usar o comando file para ter uma ideia do tipo de arquivo que você esta lidando. Se ele não te ajudar em nada, tem o famoso binwalk.

    Os logs do binwalk the darão os endereços importantes. Então agora podemos usar o dd e dividir o seu binário em segmentos específicos. O comando dd precisa dos parâmetros bs (block size), do skip (offset) e o count (que aqui signifca quantos blocos você tem/quer copiar). Normalmente você terá pelo menos 3 blocos:

    1. O bootloader.bin: geralmente não esta criptografado pelo fato do microcontrolador não poder descriptografar.
    2. O mainkernel.bin: se você tiver sorte será algum kernel Linux. Esse é o firmware que controla o bare metal. 🙂 Geralmente o mais divertido de ler e várias vezes comprimido - use o file novamente para saber como descomprimir.
    3. O mainrootfs.bin: para quem entende um pouco de Linux e sistemas BSD, esse é o sistema de arquivos, contendo todos os arquivos com configurações, os binários do sistema, etc. Use novamente o file para verificar se está comprimido.

    No caso da imagem estar criptografada, é possível quebrá-la utilizando o fcrackzip

    No próximo artigo eu vou tentar entrar em detalhes desses três binários - vamos ver se eu acho algum hardware interessante. 🙂

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    • Por Fabiano Furtado
      Pessoal,
      bom dia. Estou estudando algumas técnicas de proteção de binários, me baseando no video do Fernando Mercês do Roadsec 2017 https://www.youtube.com/watch?v=cpU9U0sqzh4
      Mais especificamente, em 27'29", o Fernando mostra como substituir algumas instruções por outras equivalentes, para dificultar a análise do binário.
      Fiz exatamente isso, mas o programa da um Segmentation Fault após a alteração, e eu não tenho idéia do que pode ser. Alguma ajuda?
      Segue o programa exemplo em C que fiz para alterar o JMP:
      #include <stdio.h>
      int main(void) {
        int c = 0;
        c++;
        
        if ( c == 1 ) {
          __asm__("nop");
          __asm__("nop");
          __asm__("nop");
          __asm__("nop");
          goto end;
        }
        do {
          puts("Dentro do while");
          goto end;    
        } while (1);
        puts("antes do Fim");
        
      end:
        puts("Fim");
        
        return 0;
      }
      Compilei ele com: gcc -Wall -m32 -O0 salto.c -o salto
      Seguem as linhas originais:
          11b5:       83 7d f4 01             cmp    DWORD PTR [ebp-0xc],0x1                                                    
          11b9:       75 06                   jne    11c1 <main+0x34>                                                           
          11bb:       90                      nop                                                                               
          11bc:       90                      nop                                                                               
          11bd:       90                      nop                                                                               
          11be:       90                      nop                                                                               
          11bf:       eb 13                   jmp    11d4 <main+0x47>                                                           
          11c1:       83 ec 0c                sub    esp,0xc                                                                    
          11c4:       8d 83 08 e0 ff ff       lea    eax,[ebx-0x1ff8]                                                           
          11ca:       50                      push   eax                                                                        
          11cb:       e8 60 fe ff ff          call   1030 <puts@plt>                                                            
          11d0:       83 c4 10                add    esp,0x10                                                                   
          11d3:       90                      nop                                                                               
          11d4:       83 ec 0c                sub    esp,0xc                                                                    
          11d7:       8d 83 18 e0 ff ff       lea    eax,[ebx-0x1fe8]
      Seguem as linhas alteradas:
          11b9:       75 06                   jne    11c1 <main+0x34>                                                           
          11bb:       68 d4 11 00 00          push   0x11d4                                                                     
          11c0:       c3                      ret                                                                               
          11c1:       83 ec 0c                sub    esp,0xc                                                                    
          11c4:       8d 83 08 e0 ff ff       lea    eax,[ebx-0x1ff8]                                                           
          11ca:       50                      push   eax                                                                        
          11cb:       e8 60 fe ff ff          call   1030 <puts@plt>                                                            
          11d0:       83 c4 10                add    esp,0x10                                                                   
          11d3:       90                      nop                                                                               
          11d4:       83 ec 0c                sub    esp,0xc                                                                    
          11d7:       8d 83 18 e0 ff ff       lea    eax,[ebx-0x1fe8]
      Alguma ajuda?
      Desde já, agradeço.
    • Por Fernando Mercês
      Saudações, leitores do Mente Binária! Hoje me deu vontade de falar sobre uma tarefa que eventualmente preciso fazer na empresa onde trabalho, que é a de verificar as diferenças entre arquivos executáveis, normalmente de Windows, também conhecidos por executáveis PE.
      Há vários usos ao comparar binários. É possível avaliar o que mudou na versão atual de um software em relação à anterior, descobrir o que muda em cada sample diferente de uma mesma família de malware, etc. Esses dias mesmo me foi pedido que verificasse a diferença entre 6 arquivos maliciosos, que compartilho abaixo como fiz.
      Reconhecimento básico
      Os arquivos que recebi tinham seu hash SHA-256 como nome. A primeira coisa que fiz foi checar seu tipo (usando comandos do macOS, mas o Linux tem comandos similares):
      $ file * fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e: PE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows Só para garantir, também chequei o SHA-256 deles e realmente bateu com o nome, o que era esperado:
      $ shasum -a256 * fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04 fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04 fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9 fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9 fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05 fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05 ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640 ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640 ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e PS.: No Linux o comando seria sha256sum ao invés de shasum -a256.
      O próximo passo foi checar o tamanho deles:
      $ wc -c * 396973 fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04 396973 fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9 396973 fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05 396973 ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd 396973 ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640 396973 ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e 2381838 total Aqui apresentou-se um caso atípico: os binários possuem exatamente o mesmo tamanho! Já pensei que havia grandes chances de as diferenças entre eles serem mínimas: provavelmente algo usado pelo autor do malware só para "mudar o hash" na tentativa de evitar que os antivírus detectem os arquivos idênticos, por exemplo. Essa tentativa é na verdade frustrada visto que, ao contrário do que muitos pensam, os antivírus não detectam malware por hash normalmente, já que isso seria muito custoso do ponto de vista do desempenho (seria preciso ler todos os bytes do arquivo!) e também seria muito fácil tornar um novo arquivo indetectável - bastaria alterar um único byte para um hash final completamente diferente.
      Comparação de estrutura
      Se estivéssemos tratando arquivos de texto, poderia simplesmente usar o comando diff, mas o assunto aqui é PE, então algo interessante de verificar é sua estrutura, que consiste basicamente em cabeçalhos, localizados antes das seções. Se você não sabe do que estou falando, recomendo os seguintes recursos:
      Posts do @Leandro Fróes sobre o formato PE e suas referências. Capítulo sobre PE do livro Fundamentos de Engenharia Reversa. Aulas 5 e 6 do CERO, nosso Curso de Engenharia Reversa Online em vídeo. Digitar "PE executable" no Google ler o que curtir. Depois dessa imersão no mundo dos executáveis PE, não tenho dúvidas de que você vai se apaixonar por eles também! 😍
      Voltando à comparação, o que eu quero dizer com estrutura? Bem, os valores dos campos dos cabeçalhos. Por exemplo, para ver o cabeçalho COFF de um arquivo PE, usei o readpe, parte do kit de ferramentas pev:
      $ readpe -h coff fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04 COFF/File header Machine: 0x14c IMAGE_FILE_MACHINE_I386 Number of sections: 5 Date/time stamp: 1401620468 (Sun, 01 Jun 2014 11:01:08 UTC) Symbol Table offset: 0 Number of symbols: 0 Size of optional header: 0xe0 Characteristics: 0x102 Characteristics names IMAGE_FILE_EXECUTABLE_IMAGE IMAGE_FILE_32BIT_MACHINE Mas não, não usei o pev por saudosismo! A ideia de ter uma saída em texto da estrutura desses binários é depois usar o comando diff para compará-las. A primeira coisa que precisei então foi gerar um .txt contendo toda a estrutura, e não só o cabeçalho COFF, para cada um dos arquivos. Uma repetição em bash dá conta do recado:
      $ ls -1 readpe_output_* readpe_output_fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04.txt readpe_output_fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9.txt readpe_output_fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05.txt readpe_output_ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd.txt readpe_output_ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640.txt readpe_output_ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e.txt Eu usei o readpe sem nenhuma opção, assim ele imprime todos os cabeçalhos, incluindo os de seções. Só pra começar fiz um diff do primeiro para o segundo e não houve qualquer saída, ou seja, a estrutura dos arquivos eram idênticas! E eram mesmo:
      $ wc -c readpe_output_* 21627 readpe_output_fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04.txt 21627 readpe_output_fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9.txt 21627 readpe_output_fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05.txt 21627 readpe_output_ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd.txt 21627 readpe_output_ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640.txt 21627 readpe_output_ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e.txt 129762 total $ md5 !$ md5 readpe_output_* MD5 (readpe_output_fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7 MD5 (readpe_output_fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7 MD5 (readpe_output_fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7 MD5 (readpe_output_ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7 MD5 (readpe_output_ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7 MD5 (readpe_output_ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e.txt) = 05b36b89b1165b3d619bee16f8a1d7f7
      Os hashes MD5 da saída em texto da estrutura de todos os arquivos batem. Eles são mesmo iguais estruturalmente!
      Passado o choque, percebi que teria que comparar o conteúdo das seções (código, dados, talvez resources, etc). Aí fui obrigado a inicializar minha VM do Janelas mesmo...
      Comparação do conteúdo das seções
      Existem alguns softwares que trabalham com PE e possuem funções de comparação de dois executáveis. Eu costumava usar o Cold Fusion (um antigo gerador de patch) pra isso, mas ele tem alguns bugs que me impediram. Achei a mesma função no Stud_PE, mas ele localiza arquivos por extensão na janela de comparação, então renomeei o primeiro e o segundo arquivo que tinha para a.exe e b.exe respectivamente.
      Ao abrir o a.exe no Stud_PE, usei o botão "File Compare", selecionei o método "Binary", setei o "Starting from" pra "Raw" e cliquei em "Compare":

      Se você não entendeu por que fiz isso, volte uma casa ou leia os tutorias de PE que indiquei. Ou pergunte que eu falo. 😍
      Bem, entre esses dois caras então havia 9 bytes que o diferenciavam e eu já tinha os offsets a partir do início do arquivo. Agora é descobrir em que seção eles estavam no PE, o que são, o que comem e como eles vivem. 😎
      Descobrindo como as diferenças são usadas
      Abri o executável no x64dbg (na verdade no x32dbg, já que este binário é de 32-bits) mas percebi que o entrypoint estava no endereço 013706AA. Como o ImageBase deste binário é 00400000, percebi que o ASLR estava habilitado e, antes de continuar , desabilitei-o com o DIE, como mostro neste vídeo rápido no canal Papo Binário:
      Antes de reabrir o binário no x32dbg, convém lembrar que eu tinha um offset e precisava convertê-lo para endereço virtual (VA). Isso é feito com o que alguns analisadores de PE chamam de FLC (File Location Calculator). O DIE tem, o Stud_PE tem e o pev também tem, com a ferramenta ofs2rva:
      $ ofs2rva 0x4c451 a.exe 0x4dc51 Mas pra não você não me acusar de saudosismo de novo, vou mostrar no Stud_PE 😄

      Percebe que o Stud_PE já diz que este byte pertence à seção .rdata, o que à esta altura você já sabe, caso tenha feito o trabalho de casa de estudo do PE, que é provavelmente uma seção de dados somente-leitura, então há grandes chances de nossa sequência diferentona pertencer à uma string constante, por exemplo. Fui ver no debugger como é que tava a festa. Abri o a.exe lá e dei um Ctrl+G no Dump pra ir pro endereço 44DC51:

      De fato tinha uma string lá: zuk0KRrGrP, mas ela na verdade começava em 44DC44 e pra saber quando ela era usada no malware, coloquei um breakpoint de hardware no acesso ao byte, que é o primeiro da string e cheguei à conclusão de que, como o nome sugere, é realmente uma string de identificação da campanha do malware, sempre no mesmo offset (calculei de novo usando FLC).  Agora foi só ver a dos outros e novamente recorri à uma ferramenta do pev (💚), a pestr:
      $ for i in *; do echo $i; pestr -so $i | grep 0x4c444; echo; done fdba340bb35635934aa43b4bddd11df31f2204e73394b59756931aa2f7f59e04 0x4c444 .rdata identifierStrzuk0KRrGrP fdf3060eb9c39b1a2be168b1ac52c2f80171394e73fe03c4e0c57911cb9358a9 0x4c444 .rdata identifierStrAR0U4hr1wW fedf9d9815b3d0ad28e62f99d5dcf92ec0f5fcb90135b4bdc30bb5709ab9ff05 0x4c444 .rdata identifierStrswEYVkFWeg ff2f1be6f64c91fa0a144cbc3c49f1970ba8107599d5c66d494ffb5550b0f7fd 0x4c444 .rdata identifierStrKXaUzlBDIj ff53c7ba285ffdc2c29683bb79bb239ea59b3532f8b146523adf24d6d61fc640 0x4c444 .rdata identifierStrv91TJ5c3Lr ffee504e292a9f3ae6c439736881ebb314c05eac8b73d8b9c7a5a33605be658e 0x4c444 .rdata identifierStrOzJnvFQy2U Bom, daí o céu é o limite. Dá pra criar assinatura, criar um script pra extrair esse ID da campanha, enfim, missão cumprida.

      FAQ
      1. Por que você não utilizou só um comparador de arquivos qualquer, que compara os bytes em hexadecimal?
      Eu queria saber exatamente onde estavam as diferenças entre os arquivos, se na estrutura ou não. Em caso negativo, é código? Se sim, que código? Que faz o que? São dados? Usados onde? Em qual seção? Um editor hexadecimal ignorantão não me daria isso. Além disso, se os arquivos fossem diferente estruturalmente, ou em tamanho, eu queria saber antes, pra não perder tempo analisando diferenças de bytes hexa que eu não sei o que é.
      2. Existem softwares para comparar binários PE muito mais poderosos, como o BinDiff. Por que caralhas você não o usou?
      O BinDiff é pra comparar código. Minha diferença estava nos dados. Além disso, o BinDiff e seus amigos traduzem o Assembly original do binário para uma linguagem intermediária própria e comparam lógica, não instruções. É bem fodão, mas não me atendia neste caso, afinal eu já sabia que os binários eram idênticos em funcionalidade. Só queria saber onde estava a diferença exata.
      3. Percebi pela screenshot do Stud_PE que ele também compara a estrutura dos arquivos PE, então todo aquele processo com o readpe foi à toa?
      Sim, foi só pra Inglês ver. Não, brincadeira! O Stud_PE compara os cabeçalhos COFF, Optional e os diretórios de dados somente. O readpe imprime todos os cabeçalhos, incluindo todas as seções mais os imports. É outro nível, moleque! 😏

      4. E quanto à executáveis ELF?
      O título não fala somente de PE propositalmente, já que a mesma técnica pode ser usada para arquivos ELF, só mudando os programas (readelf, etc).
      Por hora é só. Se você deixar sua análise abaixo ou quiser fazer um comentário/pergunta, ficarei muito grato. Considera apoiar a gente também vai. 💚
    • Por Fernando Mercês
      Muitos jogos antigos apresentam problemas ao serem executados ou simplesmente instalados no Windows Vista. Isto acontece por conseqüência de diversos fatores, mas o principal é que quando o jogo (ou software) foi desenvolvido, o Windows Vista ainda não estava no mercado, o que impediu testes de serem realizados, entre outros aspectos.
      Este artigo mostra um exemplo de como utilizar a ER para estudar o executável do game e saber o que o impede de rodar no Vista.
      Você verá como uma simples alteração em 2 bytes de um arquivo PE pode salvar seu fim de semana.
      Ao tentar instalar o jogo Mortal Kombat 4 (PC) no Windows Vista Home Basic, obtivemos um erro fatal que dizia: “Start Menu Error”. A única opção era clicar no botão OK, que encerraria a execução do programa de instalação.
      Numa tentativa de contornar tal situção, copiamos o conteúdo do CD-ROM para um diretório no disco rígido e tentamos executar o game pelo seu executável direto, o MK4.EXE. Isso resultou no seguinte erro:

      É notável que o executável checa se a instalação do jogo foi feita e, como não foi feita, recebemos a mensagem acima. Ao clicar em OK, o processo é encerrado.
      Mas o que será que o jogo checa para saber se está instalado ou não? Para responder a essa pergunta precisaremos de um debugger de executáveis. Um aplicativo que mostra, em assembly, as rotinas executadas por arquivo PE. Usaremos o OllyDbg para tal função.
      Ao abrir o executável MK4.EXE no OllyDbg, vamos procurar pela string de texto contida na mensagem de erro da primeira imagem. Para isto, clique com o botão direito do mouse no primeiro quadrante e escolha “Search for > All referenced text strings”, como sugere a imagem abaixo:

      A próxima tela mostra uma lista contendo todas as strings de texto encontradas e entendidas no arquivo MK4.EXE. Nela, clicando novamente com o botão direito do mouse e escolhendo “Search text”, abrirá uma janela como a mostrada abaixo e então digitamos o texto “CD” (sem aspas) e marcamos a opção para diferenciar o caso, para filtrar a pesquisa.

      Isso foi feito para encontrarmos a string de texto que nos foi exibida no erro incial, lembra-se? O texto era “Mortal Kombat 4 is not installed. Run Setup from the CD”. Por isso buscamos a palavra “CD”, para achar essa string dentro do executável do jogo, o que nos leva para próximo da rotina onde esta mensagem é chamada.
      Vamos ver o resultado na imagem abaixo:

      O Olly nos mostra que no endereço 004AD2B1, o comando é PUSH 004F474C, que vai empurrar para a memória (stack) o nosso texto. Para localizarmos exatamente onde está este comando no programa, basta darmos um ENTER nesta linha e a tela abaixo é exibida.
       
      Entramos no bloco onde o texto do erro é exibido na tela. Vamos subir um pouco para ver o que vem antes.
      Na linha 004AD299 temos um CALL (como um GOTO) e, depois que a CALL temina e o programa volta para sua execução normal, temos um TEST EAX, EAX, que é um comando que verifica se o conteúdo de EAX é zero. Então podemos prever que a CALL altera o valor de EAX.
      Mais abaixo, temos um JNZ 004AD2D4. Esse JNZ significa Jump if Not Zero (Pule se não for zero), o que quer dizer que a execução do programa saltará para a linha 004AD2D4 se o conteúdo de EAX não for zero.
      Bom, se a execução não saltar e seguir abaixo, cairemos na mensagem de erro. Se saltar, a pularemos. Então seria interessante alterar essa parte do programa para que sempre salte para a linha 004AD2D4. Isso significa que independente do resultado do teste anterior (TEST EAX, EAX) o salto ocorrerá, sempre. Assim nunca cairemos na mensagem novamente e programa continuará sua execução normal.
      O comando que faz o papel de salto incondicional em assembly é o JMP (Jump). Então, vamos alterar o JNZ da linha 004AD2A0 para JMP (e manter o resto da linha). Para isso, basta selecionar a linha e apertar a barra de espaços, depois clicar em Assemble.

      Feito isso, o Olly marca nossa alteração em vermelho. Clicando com o botão direito do mouse sobre a alteração (ou próximo) e escolhendo “Copy > All modifications”, uma tela com as modificações abre e então basta clicar novamente com o botão direito e escolher “Save file”.

      Dei o nome de MK4-mod.EXE para facilitar o reconhecimento. Agora vamos ao teste. Ao executar este novo executável modificando, vemos o jogo rodando:

      É importante esclarecer que os passos descritos aqui não são genéricos e não servem para todos os softwares que não funcionam, em primeira instância, no Vista. O funcionamento depende de vários fatores e principalmente do nível de integração do software com o SO para o qual ele foi desenvoldido.
      O objetivo deste artigo foi demonstrar como a ER pode nos ajudar a resolver pequenos (e grandes, por quê não?) problemas do dia-a-dia na informática. Este é um dentre dezenas de exemplos de uso da ER para soluções que seriam um pouco difíceis sem ela.
    • Por nicolaslima321
      Caros,
      Utilizo o OpenSUSE Tumbleweed na minha máquina, minha distro não reconhece o comando "HD", eu tenho usado o "Hexdump" que eu imaginava que estaria fazendo a mesma coisa, tentando fazer os exemplos da aula 3 do curso CERO, o resultado ficou em ordem diferente (Print abaixo). Sabem se é possível adicionar o comando "HD", se fiz algo de errado ou se faltou alguma coisa?
      Agradeço desde já


       
       

    • Por paulosgf
      Galera,
      Onde baixo esse packer, de preferência na versão mais atual, que é a 2.0, acho!
      Aqui no portal não achei em downloads.
      Abraços!
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