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  • "Segue anexo o arquivo solicitado": Análise de um Dropper

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    91% dos crimes virtuais tem como vetor de ataque inicial o e-mail. Os anos vão passando e os atacantes aprimoram suas técnicas, fazendo o máximo possível para que um e-mail com conteúdo malicioso chegue à caixa de entrada de sua vítima.

    No final do ano passado, recebi uma mensagem suspeita para análise e compartilho com vocês através deste artigo o desfecho dessa história.

    Introdução

    A análise foi iniciada após o recebimento de um e-mail que foi reportado por um grupo de usuários como suspeito. A mensagem, em português,  tem conteúdo que faz referência a uma suposta nota fiscal que estaria acessível através de um anexo.

    No campo From, observo uma tentativa clara de simular uma troca interna de mensagens já que onde deveria ser exibida o nome do remetente está um endereço de e-mail, com o mesmo domínio do destinatário, e ao lado podemos visualizar o e-mail que de fato foi utilizado para o envio da mensagem.

    image.thumb.png.75426507af10101c7dfdbeb4fd83e8a4.png

    Neste momento, já existiam evidências suficientes para contestar a veracidade da mensagem. Segui com a análise pois notei algo que me chamou atenção.

    Submeti os hashes dos arquivos, tanto o compactado quanto o que foi extraído, para uma consulta no VirusTotal (VT) e fiquei surpreso ao perceber que não existiam registros de análises anteriores.

    Pois bem, isso foi o suficiente para estimular a minha curiosidade e tentar entender se neste caso tratava-se de um ataque direcionado ou se eram apenas arquivos circulando por aí.

    Análise Estática

    Segui então com a análise do e-mail e capturei para consulta o IP e domínio do servidor de e-mail que  foi utilizado como relay para o envio da mensagem e também o suposto IP de origem da mensagem:

    image.thumb.png.cc152722a00f1b42ad46e36bc9fa5737.png

    image.thumb.png.caf87e397e8fe011d62a7f72d169f04b.png

    Fiz uma breve pesquisa sobre estes indicadores e notei que o domínio inepaca[.]net é bem antigo e com ótima reputação, já o IP de origem é de um serviço de internet doméstica na Itália o que levanta a suspeita de que esta mensagem veio de uma máquina previamente comprometida e parte da botnet:

    image.png.120eba4d34ab5654a5e60a00380ff81b.png

    Esses fatores contribuem para que a mensagem passe pelos filtros de segurança e chegue até a caixa de entrada do usuário, cenário que fortalece a importância de um processo de conscientização em segurança da informação.

    Após descompactar o arquivo anexo, tive acesso a outro arquivo com a extensão .docx que quando executado com o Microsoft Word automaticamente já era exibido em Modo Protegido. É comum a utilização de documentos do Microsoft Office como mecanismo para download da ameaça principal já que estes apoiam a estratégia de engenharia social utilizada pelos atacantes, simulando arquivos legítimos que normalmente circulam nas empresas, e possibilitam a execução de códigos VBA (Visual Basic for Applications).

    Analisando o documento observei a presença de macros AutoOpen. Esse tipo de macro visa a execução de diversas instruções em background quando o documento for  aberto.

    Por padrão, as versões mais recentes do Microsoft Word já desabilita a execução de macros junto a inicialização dos documentos, solicitando ao usuário que habilite a execução deste tipo de conteúdo alertando sobre o risco em potencial.

    Para tentar contornar esta proteção, os atacantes geralmente incluem uma imagem no corpo documento solicitando a habilitação do conteúdo e neste caso não foi diferente:

    image.thumb.png.980010298a400e842c49dc224f197e3a.png

    Ao abrir os recursos de desenvolvedor, que deve ser habilitado customizando a guia de opções dentro do Microsoft Word, tive acesso ao editor de Visual Basic e localizei dois módulos e um deles era bem extenso e com várias funções e nomes que mais pareciam palavras geradas aleatoriamente. Neste momento fiquei na dúvida se aquele código era válido ou se estava ali somente para gerar confusão, dificultando a análise.

    Passei alguns dias analisando o código e ainda não havia chegado a um entendimento completo sobre o resultado de sua execução. Neste momento o leitor pode se perguntar por que o binário não foi submetido para análise em uma sandbox. Naquele momento eu ainda não tinha indícios suficientes de que não se tratava de um ataque direcionado.

    Olhando as propriedades do arquivo notei que o arquivo estava protegido para edição, uma restrição simples, sem senha, que após um clique o arquivo estava liberado. O que poderia ter no conteúdo do arquivo ou na imagem que eu não pude notar?

    Luz! Pressionei CTRL + T para selecionar  o conteúdo do arquivo  e notei que a seleção destacou algumas linhas de texto logo abaixo da imagem:

    image.thumb.png.6ffa22ee5b657cf1b1028edd2cd76715.png

    Como as letras estavam brancas, coloquei a cor preta e aumentei a fonte. Pronto! O “segredo” foi revelado:

    image.thumb.png.aca4b1d9c1bf6f3ca61c39f122233111.png

    Naveguei até o final do conteúdo e desconfiei de que provavelmente o texto, na verdade, era uma string base64 ofuscada com conteúdo irrelevante inserido de forma intencional:

    image.thumb.png.77bfa29bde87d8d10380510bb53bcf3b.png

    As coisas começaram a fazer sentido. Nas imagens é possível perceber que os caracteres qq)(s2) se repetem por todo o texto. Apenas removendo os caracteres que se repetem já percebemos que se trata de um script em Powershell:

    image.thumb.png.6a167161cea61af1e3a6491ef1b750ac.png

    Continuei o tratamento da string utilizando a ferramenta Cyberchef, extraindo algumas URLs do código. A string foi ofuscada em pelo menos três camadas e ao final codificada em base64:

    image.thumb.png.16fde1025bfb8f77a6201592467414a6.png

    Fiz uma pesquisa em cima das URL’s e, com base nas informações obtidas, pude ter uma noção melhor da infraestrutura utilizada. Nesse momento percebi que poderia iniciar uma análise dinâmica, já que a probabilidade de um ataque direcionado foi bastante reduzida.

    Análise dinâmica

    O binário foi submetido à plataforma Any.Run e de cara já percebemos que a ferramenta detecta a presença da ameaça EMOTET:

    image.thumb.png.617dde7c0bf73bfc70aa6c61041e5bc9.png

    Com a execução do binário pude complementar a análise estática do arquivo, verificando que a macro executa o código em PowerShell de forma indireta, através do Windows Management Instrumentation (WMI).

    Utilizar recursos nativos do sistema para execução de código é uma técnica que tem sido bastante explorada pelos atacantes na tentativa de evadir mecanismos de detecção que estejam em execução no sistema da vítima.

    Continuando a análise, fechei o quebra-cabeça analisando o arquivo PCAP gerado e localizando a URL utilizada para a comunicação e download de um arquivo malicioso:

    image.thumb.png.e032c2eb74ef3d2e9a52d6142d8997ab.png

    O arquivo baixado é da extensão  .DLL, submeti o hash deste binário à uma pesquisa e diferente dos arquivos anteriores, encontrei uma análise no VT com um índice de detecção considerável.

    O termo Emotet se refere a um trojan bancário que foi utilizado por uma quantidade significativa de mecanismos durante o processo de classificação.

    Conclusão

    Até o início deste ano podíamos considerar o Emotet como uma das ameaças mais complexas em atividade. No final de janeiro, toda a sua infraestrutura foi desmantelada em uma ação conjunta de empresas privadas e forças policiais de diversos países.

    Através de um processo automatizado, o Emotet se propagava em campanhas de phishing ( como a analisada neste artigo) que de várias maneiras tentam induzir as vítimas a executarem os anexos maliciosos.

    Após surgir como um banking trojan em meados de 2014 e expandir suas atividades ao longo dos anos, acabou se tornando uma das principais portas de entrada para outras ameaças e ataques de escala global. No ano passado, as campanhas ganharam atenção novamente já que além da própria botnet o malware passou a ser mecanismo de distribuição de outras ameaças.

    As técnicas utilizadas pelo atacante e apresentadas neste artigo são observadas em uma série de campanhas que ainda estão em curso. Sendo assim, considerar uma campanha de conscientização para complementar os controles tecnológicos continua sendo uma ótima estratégia, afinal, 91% dos crimes virtuais se iniciam com um e-mail.

    Você já conhece o curso de Análise de Malware Online (AMO)? Se não conhece, cola lá no canal do Mente Binária no Youtube e aproveite  a oportunidade de aprender gratuitamente como fazer análises semelhantes às realizadas neste artigo.

    Outras referências


    Revisão: Leandro Fróes
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    Guest Renan Ruivo

       4 of 4 members found this review helpful 4 / 4 members

    Parabéns pela análise e pela redação! Realmente, um case bem interessante.

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    Guest Rbr

       3 of 3 members found this review helpful 3 / 3 members

    Parabéns pelo texto.
    Muito didático e de fácil entendimento.

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    romulobil

       2 of 2 members found this review helpful 2 / 2 members

    Muito interessante e didático o seu artigo.

    Parabéns.

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    Andre Silva

       1 of 1 member found this review helpful 1 / 1 member

    Excelente análise e didática, além de nos indicar um curso do portal que pode nos auxiliar a desenvolver uma skill para esse tipo de atividade.

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    • By Fernando Mercês
      No últmo artigo falei sobre como montar uma máquina virtual básica para ER em Windows. Agora chegou a vez do Linux, já que o mundo não é feito só de PE. 🙂
       A ideia aqui é montar um ambiente legal para reverter binários ELF. Dá uma olhada neste vídeo (em tela cheia de preferência) pra ter uma ideia do poder dessas ferramentas:
      Legal né? Então mãos à obra!
      Máquina virtual
      1 GB de memória Placa de rede em modo NAT Sistema operacional
      Utilizo a ISO netinstall do Debian 64-bits, mas como sempre você é livre para utilizar a distribuição que quiser, só que este artigo é escrito com base nesta. 😉
      Algumas dicas de instalação:
      Não utilizar seu nome verdadeiro na criação da conta de usuário. Não instalar as extensões do software virtualizador como VMware Tools ou VirtualBox Guest Additions. Não configurar nenhuma regra de firewall ou qualquer software de proteção. /etc/apt/sources.list
      Eu deixo do seguinte jeito:
      deb http://deb.debian.org/debian/ testing main contrib non-free deb-src http://deb.debian.org/debian/ testing main contrib deb http://security.debian.org/debian-security testing-security main contrib non-free deb-src http://security.debian.org/debian-security testing-security main contrib O importante aqui é ter o contrib non-free após o main, já que alguns programas como o rar não são livres.
      Depois de configurado este arquivo, é bom atualizar os pacotes existentes:
      # apt update # apt upgrade -y Instalação de software
      Agora é hora de instalar os pacotes necessários:
      # apt install man gdb binutils vim strace ltrace ht build-essential tcpdump unhide foremost sudo p7zip-full rar unrar fasm gcc-multilib git file zip unzip python3-pip GEF
      Este é um plugin para o GDB que adiciona muitos recursos:
      # pip3 install capstone keystone-engine unicorn ropper # git clone https://github.com/hugsy/gef.git # echo "source $PWD/gef/gef.py" >> ~/.gdbinit Observações finais
      Após instalar todos os softwares, é de extrema utilidade criar um snapshot da máquina virtual, pra você voltar facilmente a este estado limpo após analisar um arquivo suspeito, por exemplo. Não precisa instalar um ambiente gráfico. Existe uma distribuição Linux chamada REMnux com foco em engenharia reversa, se você preferir.
    • By Bruna Chieco
      Para que a proteção de sistemas de uma empresa funcione, é preciso fazer a avaliação sobre sua segurança, e para que isso seja bem feito, depende da atuação de dois profissionais: os que trabalham fazendo ataques simulados para medir a força dos recursos de segurança existentes em uma organização, e os que identificam como proteger as áreas que precisam de melhoria e estão mais expostas a esses riscos. São eles que compõem as equipes conhecidas como Red Team e Blue Team, respectivamente.
      Normalmente, o que vemos é que Red Team, a área de pesquisa ofensiva, é muito sedutora, sempre mostrada nos filmes ou na mídia, com hackers invadindo sistemas e conseguindo encontrar e explorar vulnerabilidades. O que sabemos é que esse trabalho é muito importante, sim, para ajudar as empresas a saberem onde estão suas possíveis falhas e, assim, protegê-las. É aí que a equipe de defesa, ou o Blue Team, entra. Mas nem sempre ouvimos falar tanto sobre a atuação desses profissionais. "Fazer um vírus que um antivírus não pega é muito fácil. Eu quero ver fazer um antivírus que pegue todos os vírus. Esse é o desafio real", diz Fernando Mercês, pesquisador na Trend Micro e fundador do Mente Binária.
      A segurança ofensiva fica ainda mais "glamourizada" com a quantidade de programas de bug bounty, ou caçadores de recompensa, que hoje existem oferecidos por empresas que querem estimular pesquisadores a encontrar possíveis vulnerabilidades em seus sistemas em troca de uma boa quantia em dinheiro. Mas nem sempre quem vai participar possui tantas habilidades técnicas a ponto de encontrar falhas que realmente impactem o negócio de uma empresa.
      "A importância desse trabalho [de pesquisa ofensiva] para as empresas depende muito do que o pesquisador quer fazer com o achado (vulnerabilidade)", diz Joaquim Espinhara, líder do time de Red Team & Adversarial Simulation na Tesserent. Para ele, a importância deste profissional para a segurança das empresas está sujeita à motivação do próprio pesquisador.
      Espinhara destaca que alguns profissionais que procuram por vulnerabilidades em softwares, depois de provar que é possível explorá-lo, acabam vendendo-a para alguma empresa ou governo que vai usar para fins de espionagem, ao mesmo tempo que pesquisadores normalmente encontram uma falha em um site/aplicação de uma empresa e decidem reportá-la, seja por recompensa ou não. Tem ainda o perfil do pesquisador que coleciona falhas, mostrando-as aos amigos para ganhar os chamados "street credits" – ou seja, pontos por ter feito algo considerado legal ou impressionante.
      Habilidades da pesquisa ofensiva – O conhecimento técnico que o pesquisador deve ter para buscar vulnerabilidades também depende do tipo de falha que ele está procurando, e onde está procurando, diz Espinhara. "Existem muitas classes diferentes de vulnerabilidades. Normalmente o que eu vejo no Brasil e na bolha do bug bounty são falhas relacionadas a aplicações web (SQL Injection, Cross-Site Scripting, File Include, etc)", destaca. 
      Ele ressalta que existem outras vertentes de pesquisa de falhas em sistemas operacionais e software nativos, ou mais recentemente pessoas que estão focadas em blockchain e smart contract security. Na sua visão, os programas de bug bounty são válidos para que pesquisadores tenham opções de rentabilizar o esforço em achar determinada vulnerabilidade. "Empresas deveriam (e até acontece) recompensar de acordo com o impacto da vulnerabilidade ao negócio", avalia Espinhara.
      Mas ele pontua que este mercado, no Brasil, ainda não é tão atrativo, em especial por conta da desvalorização do real perante o dólar. "Normalmente as empresas pagam o bounty em dólar americano. Algumas já se adaptaram a isso no Brasil, mas ainda não é a maioria. Normalmente, quanto maior a recompensa em um programa de bug bounty maior será a quantidade de pesquisadores mais habilidosos/experientes reportando", diz.
      Espinhara começou a atuar na área ofensiva há bastante tempo e já tem mais de 10 anos de experiência. "Assim como muita gente na área, eu fiz o caminho padrão: entrei na universidade (que não concluí), comecei a fazer alguns estágios e em um deles fiquei alocado na área de segurança de redes. Foi um caminho sem volta", conta. 
      Atacar só se for para defender – Espinhara pontua que existe uma má interpretação sobre o que é, de fato, o Red Team. "Conversando com alguns amigos que atuam nesta área de verdade no Brasil, eles me falam que o maior desafio é explicar que Red Team não é apenas um pentest com mais dias de execução", diz.
      Para explicar a melhor definição para Red Team, Espinhara utiliza uma citação de Joe Vest and James Tubberville no livro Red Team Development and Operations: A practical guide: "Red Teaming é o processo de usar táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) para emular uma ameaça do mundo real, com o objetivo de medir a eficácia das pessoas, processos e tecnologias usadas para defender um ambiente". 

      "O nosso trabalho é preparar o Blue Team para responder a ameaças reais. Ou seja, sem Blue Team não existe Red Team" – Joaquim Espinhara 
       
      Assim, ele avalia que um dos objetivos do Red Team é mostrar para o Blue Team a perspectiva de um atacante. "O Blue Team faz uma 'leitura' dessa simulação e se prepara para responder a ameaças iguais ou semelhantes em termos de TTPs", diz. "Red Team e Blue Team têm que trabalhar juntos. Por exemplo, aqui na empresa nós só realizamos exercícios de Red Team se o cliente tiver um Blue Team. O nosso trabalho é preparar o Blue Team para responder a ameaças reais. Ou seja, sem Blue Team não existe Red Team". 
      Essa também é a visão de Thiago Marques, Security Researcher na Microsoft. Segundo ele, as duas áreas trabalham juntas, apesar de alguns grupos manterem uma certa rixa. "O Red Tem dá muita informação de como proteger. Eu vejo como duas áreas que realmente se completam", avalia. 
      Ele pontua, contudo, que é comum ver pessoas mais interessadas pela área ofensiva, por ter uma idealização sobre conseguir invadir um sistema e quebrar proteções. "Já na parte defensiva, poucas pessoas veem o trabalho do pesquisador, e quando veem é porque você não conseguiu proteger", destaca Thiago. Na sua visão, o lado negativo é que existem muitas pessoas que se intitulam profissionais ofensivos, mas somente executam scripts.
      Oportunidades na área defensiva – Thiago Marques diz que as oportunidades para quem quer atuar com pesquisa defensiva no Brasil são grandes. Isso porque muitas vezes empresas estrangeiras veem a necessidade de ter pessoas que entendam sobre o ecossistema brasileiro para monitorar e se defender de certos ataques. "Por anos o Brasil tem estado no topo de ameaças, principalmente financeiras, com malwares feitos aqui. E a dificuldade de empresas de fora é que tudo é feito em português. Isso gera uma barreira, porque um estranegito olha uma ameaça específica do Brasil e não consegue entender exatamente o que está acontecendo", conta. 

      "Há profissionais bem habilitados no mercado para realizar pesquisas defensivas, mas nem sempre eles são vistos" – Thiago Marques
       
      Um exemplo é uma ameaça comum no Brasil que envolve boletos. "Um estrangeiro não sabe o que é um boleto. Essa necessidade tem feito com que muitas empresas queiram aumentar a visibilidade dentro da América Latina, buscando profissionais aqui para monitorar e entender esses ataques". Thiago destaca ainda que há profissionais bem habilitados no mercado para realizar pesquisas defensivas, mas nem sempre eles são vistos. "Tem bastante gente boa, que trabalha em qualquer empresa em qualquer lugar do mundo", pontua.
      Segundo ele, para quem quer atuar na parte de defesa, primeiramente é preciso saber analisar malware, ou seja, ter a capacidade de analisar um arquivo. "Isso seria o principal. E para fazer a análise de malware é preciso ter uma noção básica de programação", diz, contando que ele mesmo sempre gostou de programar e começou a fazer isso usando macros do Word. 
      Desde 2007, Thiago é analista de malware, e no ano passado, ele começou a trabalhar na área de proteção da Microsoft, entendendo a forma com que os atacantes usam seus métodos de ataque, e identificando como alertar e bloquear esses ataques, até mesmo aprendendo e tentando prever movimentos que atacantes podem fazer no futuro. "Nunca trabalhei muito na parte ofensiva. Eu escolhi a defensiva porque eu gosto, mas já tive ofertas de trabalho para o Red Team", conta. 
      Thiago ressalta que para aproveitar as oportunidades que a área oferece, as pessoas precisam querer entender como as coisas funcionam. "Os ataques usam sistemas que ninguém está olhando, e é preciso conhecer isso para identificá-los. Ter uma boa base de conhecimento sobre sistema operacional e programação, saber como é o processo entre o que você escreveu até o resultado chegar na sua tela, entender esse fluxo leva tempo, e por isso muita gente acaba pulando essa etapa", diz.  
      Para ele, dedicar um tempo para entender as coisas básicas de funcionamento é essencial antes de focar no que você gosta. "A parte de defesa abrange análise de dados, engenharia reversa, depende muito. Mas ter uma base de como as coisas funcionam vai ajudar em qualquer área", complementa.
    • By Leandro Fróes
      Depois de muita espera a NSA anunciou oficialmente a inclusão de um debugger no Guidra na sua versão 10.0. Depois de muita discussão sobre esta possibilidade o time de desenvolvimento do framework lançou uma release beta da versão 10.0 ontem!
      Neste momento o debugger suporta analisar aplicações em userland e consegue debuggar tanto binários Windows quanto Linux (utilizando o gdb neste caso). Para quem quer começar logo de cara o Guidra disponibiliza um tutorial de início rápido em Help -> Guidra Functionality -> Debugger -> Getting Started:

      Existem várias formas de iniciar o debugger, desde clicando com o Botão direito -> Open With -> Debugger até direto da sua Project Window do Guidra clicando no ícone de "bug" debaixo de "Tool Chest", como mostrado abaixo:

      Uma vez que a ferramenta é inicializada você deve importar o arquivo a ser depurado para a ferramenta. Uma das formas de fazer isto é simplesmente o arrastando da Project Window. Uma fez carregado podemos ver a cara do mais novo debugger do Guidra:

      Algumas das funcionalidades são: debugging remoto utilizando GDB e windbg, rodar o debugger direto no programa do qual você está analizando estaticamente e tracing de memória.
      Além disso ele também conta com as funcionalidades básicas de um debugger como utilização de breakpoints, listagem de regiões de memória mapeadas, estados dos registradores e uma interface de linha de comando própria.
      Todas as funcionalidades listadas aqui possuem sua própria View, isto é, sua própria janela dentro da ferramenta:


      Vale lembrar que esta release está em sua versão beta e tem como objetivo principal coletar o feedback da comunidade. Caso queira dar uma testada e/ou dar um feedback pra galera do Guidra basta baixar a release clicando no botão abaixo 😉.

    • By Leandro Fróes
      E lá vai mais uma do horsicq! No dia de hoje horsicq, criador de inúmeras ferramentas de análise incluindo o incrível Detect It Easy (DIE), lançou a primeira release do seu novo projeto, um analisador de arquivos MachO chamado XMachOViewer.

      Para quem já utilizou o DIE vai notar uma grande semelhança no design e usabilidade. Já aquelas que não estão familiarizados com as ferramentas do horsicq (deveriam, sério!) fiquem tranquilos, todas são bem simples e intuitívas de se usar.
      Ao contrário do DIE o XMachOViewer tem foco exclusivo em binários MachO. Em relação à funcionalidades a ferramenta consegue fazer tudo que o Detect It Easy faz e ainda mais, tudo isso com uma console exclusiva e mais detalhada: 

      Dentre as funcionalidades novas temos a busca por padrões de criptografia (Base64, RSA, etc), muito útil para análise de malware, por exemplo:

      Name demangling (precisamos dizer o quanto isso é útil? 😄) :

      E também uma funcionalidade de hashing (por que não, né?):

      Além disso, devido à natureza interativa da ferramenta ela permite você editar o arquivo diretamente, bastando apenas selecionar o campo que deseja e começar a digitar:

      A versão 0.01 está pronta para download e com certeza vale uma conferida:

    • By Fernando Mercês
      A Hex-Rays surpreendeu todo mundo agora. Liberou a versão mais recente do IDA, a 7.6, no modelo freeware. Só isso já seria muito bom, mas eles foram além: O IDA 7.6 freeware inclui um descompilador online (cloud-based) gratuito! Pois é, pessoas... Parece que a concorrência exercida pelo Ghidra realmente está sendo saudável para a comunidade. Ao disparar o plugin de descompilação (F5), o programa deixa claro que este recurso na versão gratuita suporta somente binários de 64-bits, dentre outros avisos:

       
      Ao continuar, a descompilação é concluída e códiogo em pseudo-C é exibido ao lado. Veja o exemplo descompilando o notead.exe nativo do Windows:

      Os recursos de interação como renomear variáveis e funções no descompilador estão habilitados, uma notícia muito boa para a comunidade!
      Além do descompilador, a versão 7.6 do IDA freeware inclui:
      Modo escuro
      Tá na moda né? E o IDA não ficou de fora. Se você for em Options -> Colors e mudar o Theme para dark, vai ter um visual assim:

       
      Organização de dados em pastas
      Sendo um disassembler interativo, a versão 7.6 oferece a opção de organizar os dados em pastas. Isso vale para vários locais. Um deles é a janela de funções. É possível agora criar pastas e organizar as funções dentro delas. Para isso, basta clicar com o botão direito do mouse na janela de funções e escolher Show folders. Depois é só selecionar as funções desejadas e escolher Create folder with items.

      E mais:
      Suporte a binários compilados em Go. Suporte ao novo Apple M1. Rebasing mais rápido. Sincronização entre o descompilador online e o disassembly. Lembando que o disassembler em si suporta binários de 32-bits também (PE, ELF e Mach-O). Só o descompilador que não.
       

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