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    Sorria, você está sendo rastreado


    Bruna Chieco

    Já é sabido que praticamente todos os site que você acessa podem monitorar seu histórico de navegação. Isso é bem comum em websites como o Google, que utilizam histórico do usuário para criar anúncios personalizados. Por exemplo, quando você faz uma pesquisa sobre algo que você quer comprar, como um shampoo, é bem provável que pouco tempo depois comece a aparecer anúncios para você sobre esse produto. Isso porque o Google utiliza rastreadores para fazer essa compilação de informações e deixar seus anúncios mais atrativos. 

    Além dessas grandes empresas, outros sites compilam seus dados que são divulgados por aí sem seu conhecimento. "Nas páginas de Internet isso acontece faz tempo. Em sites de notícia, por exemplo, é possível identificar seis ou sete rastreadores logo no primeiro acesso, na página inicial — fora os que são encontrados ao longo da navegação dentro do site", diz Rafael Cimatti, co-fundador da Spod, empresa que oferece o serviço de bloqueio desses rastreadores.

    Lançado em 2019, o aplicativo Spod VPN já consegue calcular uma média de 30 a 40 bloqueios de rastreadores num dia não muito intenso de uso de celular. Segundo Cimatti, isso decorre da ascensão de aplicativos para iOS e Android, que gerou um aumento da integração de programas com plataformas de monetização. Ou seja, alguém cria um app gratuito, e para conseguir ganhar dinheiro com ele, insere um anúncio. 

    "Muitas empresas que fazem isso rastreiam o usuário e montam um portfólio sobre seus hábitos e pesquisas. Por conta disso, nasceu nossa ideia de fazer o bloqueio de rastreadores, pois eles começaram a ficar intrusivos", explica. Rafael Cimatti diz ainda que esses rastreadores se estendem a identificar a localização do usuário via coordenadas de GPS, e a localizar aparelhos com Bluetooth e Wi-Fi ao redor, além de monitorar os programas instalados e sites acessado. 

    Quem são essas empresas?

    O co-fundador da Spod explica que existem alguns tipos de rastreadores. "Geralmente os definimos como rastreadores de primeiro nível e de terceiro nível. O de primeiro nível seria a própria empresa que faz o site. Mas além do seu próprio, ela pode usar outros rastreadores, que são chamados de terceiro nível. Ou seja, suas informações são enviadas para o site de um terceiro, e o usuário nem sempre sabe que isso está acontecendo", comenta Cimatti. 

    Normalmente, essas empresas são Ad exchanges — uma espécie de corretora de anúncios. "Elas oferecem anúncio para um desenvolvedor de aplicativo que queira monetizar com seu produto, ou paga um influenciador de mídia para que uma propaganda seja colocada em sua página", diz. A maior corretora de propaganda de anúncios é o Google, que identifica quem acessa o site e mostra um anúncio diferente, de acordo com o perfil dos usuários. "A personalização é possível por conta dos rastreadores. As empresas de anúncios digitais também trocam informações entre elas e ainda podem obtê-las de empresas parceiras”, diz Cimatti.

    Além disso, ele relata que esses dados muitas vezes são comercializados por empresas. "As provedoras de Internet, por exemplo, conseguem saber tudo que você acessa, o tempo que fica em uma página, e a partir disso, acabam vendendo esses dados para empresas de propaganda", conta Cimatti. Em 2017, o Governo dos Estados Unidos aprovou uma Lei que permite que provedores de acesso à rede comercializem históricos de busca dos usuários. No Brasil não há posicionamento oficial sobre essa prática.

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    Tela de alerta de rastreadores bloqueados pelo Spod VPN

    Rastreadores nem sempre são maléficos

    Rafael Cimatti explica também que existe um apelo benigno desses rastreadores no sentido de que eles podem ser usados para melhorar a funcionalidades de um site ou aplicativo. Por exemplo, algumas empresas, como a Crashlytics, coletam dados de usuários para informar ao desenvolvedor quando seu aplicativo trava. "Apesar de fazer rastreamento, a gente considera benigno, pois ele não vende ou extrai essas informações com outra finalidade". Nesse caso, inclusive, o rastreamento é direcionado para fins específicos. "De certa maneira, ele te identifica, o que é o grande problema do rastreador. Mas nesse caso, ele não inclui dados de localização, e nem coleta os programas que você tem instalado", ressalta Cimatti.

    Tá, eu estou sendo rastreado. E quais são os riscos que corro com isso?

    Rafael Cimatti destaca que entre as principais implicações causadas pelo rastreamento desenfreado de empresas sem conhecimento do usuário está o risco de vazamento de dados. "Não podemos esquecer que empresas grandes já sofreram com divulgação de informações privadas. Além disso, na questão de segurança, esses sites podem incluir ameaças, como malwares ou páginas falsas usadas para phishing. Nossa plataforma também bloqueia esse tipo de site", diz. 

    Como se proteger? 

    A Spod foi criada para isso. Ela combina uma VPN a um filtro web para bloquear rastreadores e ameaças, o que inclui tentativas de ataque de malware em geral e qualquer tipo de programa que te monitore no sentido de vigilância. "Protegemos contra ataques de phishing também. Se um usuário entra em um site de banco, ou do governo, cujo endereço é falso, ou seja, é uma página fake que rouba dados, nós bloqueamos", explica Rafael Cimatti. Para identificar esses sites, contudo, o trabalho da Spod é praticamente de gato e rato. "Eles ficam tentando fugir da proteção, e a gente segue tentando proteger. Temos um trabalho contínuo de atualização para saber quais novas empresas utilizam rastreadores". 

    Além do Spod VPN, outras maneiras de proteção também são possíveis, como extensões de bloqueio de anúncios no navegador ou a utilização da famosa aba anônima para acessar sites. Para aplicativos, contudo, o serviço da Spod é praticamente pioneiro.  "Acima de tudo, somos uma empresa de segurança. Nosso objetivo é trazer a privacidade", complementa Rafael Cimatti. 

    O aplicativo Spod VPN está disponível para iOS e a empresa já iniciou os estudos para suportar macOS e Android.

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