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  1. O Relatório de Ciências da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) publicado em fevereiro deste ano apontou que, em todo o mundo, as mulheres ainda representam apenas 40% dos graduados em ciência da computação e informática. Em relação à área de engenharia, o percentual cai para 28%, enquanto em áreas altamente qualificadas, como inteligência artificial, apenas 22% dos profissionais são mulheres. Ao se deparar com o relatório, o Secretário-Geral da ONU António Guterres alertou que “promover a igualdade de gênero no mundo científico e tecnológico é essencial para a construção de um futuro melhor”. Segundo ele, “mulheres e meninas pertencem à ciência”, mas os estereótipos as afastaram de campos relacionados à área, e “é hora de reconhecer que mais diversidade promove mais inovação”. Para o Secretário-Geral, sem mais mulheres nas ciências, “o mundo continuará a ser projetado por e para homens, e o potencial de meninas e mulheres permanecerá inexplorado". Para que esse potencial seja cada vez mais explorado, precisamos incentivar o público feminino a entrar na área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (também conhecida pelo termo STEM, em inglês), sem medo de ser menos capaz que os homens nesse quesito – porque de fato não é. É por isso que escolhemos este dia 12 de outubro para tratar do assunto. Toda segunda terça-feira do mês de outubro comemora-se mundialmente o Ada Lovelace Day, celebração internacional que representa a conquista das mulheres na STEM. Augusta Ada Byron King – conhecida como Ada Lovelace – é considerada a primeira programadora do mundo. A matemática e escritora inglesa é reconhecida principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina nos anos 1800. Ada Lovelace deixou um legado, séculos depois, sendo seu nome usado para dar destaque às mulheres que atuam na ciência, tecnologia, engenharia e matemática, com o objetivo de aumentar a representação do público feminino nessas áreas. E já temos exemplos de meninas que conquistaram e vêm conquistando cada vez mais espaço e podem inspirar outras tantas a estudarem e se engajarem nas profissionais relacionadas a STEM. É o caso de Lais Bento, que é Java Software Engineer na eDreams ODIGEO. Sua trajetória na área de Tecnologia da Informação (TI) vem de uma longa história. Ela conta que sempre se interessou pelo tema, mas na hora de escolher um curso na universidade se deparou com algumas barreiras sociais e acabou optando por cursar administração. "Depois de um tempo, isso passou a ser um peso na minha vida, porque eu não gostava da área. Mas eu tinha receio de ir para TI, porque não era muito moda, tinha poucas mulheres na área", diz Lais em entrevista ao Mente Binária. Até aceitar definitivamente seu gosto pela tecnologia, Lais passou um tempo trabalhando como administradora. Em determinado momento, decidiu fazer um curso técnico em informática, para depois cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Instituto Federal de São Paulo. "No segundo ano da universidade consegui minha primeira oportunidade na área de TI, em uma grande empresa, com 26 anos", conta. "No começo eu era uma no meio de vários homens, mas isso mudou muito rápido" - Lais Bento Depois de alguns meses, Lais já foi para sua segunda oportunidade na carreira, no iFood, que considera ter mudado sua vida. "Entrei lá como estagiária e virei uma desenvolvedora de software. Aprendi o que precisava e graças a toda a experiência que conquistei, hoje estou morando em Portugal, trabalhando na maior agência de viagens online da Europa". Lais conta que sua experiência no iFood marcou sua vida profissional especialmente por ter sido uma das primeiras estagiárias de tecnologia mulher de toda a história da empresa. "Isso me impactou bastante". Após 2 anos trabalhando lá, ela conta que a inclusão já mudou bastante, e muitas mulheres entraram na área de programação, entre elas desenvolvedoras e cientistas de dados. "No começo eu era uma no meio de vários homens, mas isso mudou muito rápido". Não ter medo de começar – Lais relata ter um único arrependimento nessa história toda: não ter entrado antes na área de TI. "Deveria ter começado com 18 anos, aceitando que mulheres podem programar também", diz. Segundo ela, começar mais cedo poderia ter trazido mais experiência do que tem hoje. "As coisas em tecnologia mudam muito rápido, então você sempre tem que estar pronto para aprender coisas novas. Sei que não tem idade para começar, mas se eu tivesse entrado antes, vejo que eu estaria mais avançada", diz. Já a história de Tainah Bernardo é um pouco diferente. Ao contrário da Lais, que sempre soube que gostava de tecnologia, Tainah nunca achou que essa área fosse pra ela. Formada em Artes Visuais, recentemente, aos 26 anos, ela descobriu que queria mudar de carreira e foi atrás de um curso de programação. "Com a pandemia, eu percebi que estava cansada de atuar em uma profissão que, por mais que gostasse, não era valorizada. Um dia encontrei um curso que ensinava programação a partir do zero e que garantia inserção no mercado. Foi aí que comecei a conhecer o mercado da tecnologia, porque até então era uma coisa distante, tinha uma imagem bem estereotipada de que para entrar na área precisaria ser um gênio ou alguém enclausurado em um quarto escuro de capuz com várias telas em volta", conta. "Tudo sempre foi muito atrelado à imagem masculina, mas isso era muito inconsciente" – Tainah Bernardo Segundo ela, ainda é muito enraizada a visão de que somente homens são capazes de participar do desenvolvimento tecnológico. "Quem mexia com tecnologia era o meu irmão, o computador ficava no quarto dele. Tudo sempre foi muito atrelado à imagem masculina, mas isso era muito inconsciente", conta Tainah, que deu o primeiro passo em meados do ano passado para investir em uma área totalmente nova. "Fui fazer o curso, que tinha duração de 6 meses, e achei que o mais importante é que eles trabalham com inclusão, tratam bem as pessoas, fazem elas se sentirem acolhidas, parte da comunidade, e eu vi que tinha espaço pra mim", conta sobre sua experiência no curso oferecido pela Labenu. Tainah conta que acabou estudando muitas matérias práticas, e no final realizou treinamentos relacionados a entrevistas de emprego e challenges que a prepararam para o mercado de trabalho. "Terminei o curso e comecei a trabalhar no Olist". Hoje, ela é desenvolvedora backend de e-commerce no Olist, trabalhando com NodeJs dentro do time de Shops, que desenvolve um produto novo para pessoas físicas criarem uma loja virtual e integrá-la às redes sociais. O time da Tainah é responsável por essa integração e cotidianamente busca melhorias e novas features para quem utiliza o app. No dia a dia de trabalho, ela utiliza Javascript. Superando desafios – "Se eu tivesse pensado um pouco mais, talvez eu não tivesse coragem, porque cheguei a ver relatos de mulheres que desistiram da área por conta de pessoas que as desrespeitaram", conta Tainah. Segundo ela, o grande desafio de iniciar uma carreira na tecnologia é a comparação em relação aos homens, pois causa estranheza ver tantos homens numa mesma área enquanto há poucas mulheres. "Quando cheguei, fiquei meio bloqueada, achando que seria tratada com diferença, mas eu tive sorte, porque as pessoas foram super legais comigo", reforça. Superando o receio inicial, Tainah percebeu que essa é uma área que está crescendo, e assim ela decidiu crescer junto. "Eu não sabia que TI tem uma comunidade tão ativa e cooperativa, o que me deixou bem feliz. Mas comecei a entender isso melhor durante o curso, pois vi que tinha mulheres trabalhando, que mudaram de área e conseguiram se adequar. Eu vi que eu consigo também, se tem outras pessoas lá, eu também consigo", destaca. "Eu achava que sempre dava sorte de entrar nos lugares, mas aos poucos percebi que não foi por sorte, e sim porque mereci, me esforcei, estudei", relata Lais. Para Lais, um grande desafio que principalmente as mulheres devem superar é de sempre se acharem inferiores tecnicamente ou menos capazes. "Eu achava que sempre dava sorte de entrar nos lugares, mas aos poucos percebi que não foi por sorte, e sim porque mereci, me esforcei, estudei. Se isso acontecer com alguma menina, o ideal é fazer uma listinha de tudo que teve que aprender para estar onde está hoje. Com isso, consigo perceber que foi uma questão de mérito", conta. Como TI é uma área predominantemente masculina, Lais destaca que há algumas situações em que meninos fazem piadas machistas, perpetuando o estigma de que a área de tecnologia não é para mulheres. "Mas as pessoas hoje estão muito mais abertas. No começo eu sentia mais medo de homens me julgarem, de sofrer algum tipo de machismo. Mas é sempre bom estarmos preparados psicologicamente, pois essas coisas podem acontecer". Como entrar na área – Lais diz que a melhor maneira para meninas que querem atuar com tecnologia iniciarem sua carreira na área é saber exatamente o que querem fazer. "É muito fácil falar que quer entrar em TI, mas é uma área muito abrangente. Você quer ser programadora? De aplicativo ou de site? Quer participar da parte lógica, ou ir para a parte bonita do site, que todo mundo vê? Eu sugiro que elas entendam o que cada parte faz, e como trabalham, e assim fazer um curso básico de programação de um app, ou como construir um site, para entender o que acha mais legal. O ideal é saber o que quer fazer e depois disso começar a estudar", indica. Segundo ela, o próximo passo é encarar as oportunidades de frente. "Já vi pesquisas que dizem que se uma mulher achar que não atende a um requisito da vaga, não se candidata. E eu diria para se candidatar sim, porque o homem se candidata e nem sempre ele tem todos os requisitos. Encarem as oportunidades de frente, se atualizem e estudem. Se você recebeu uma proposta, participe do processo. A chance de conseguir a oportunidade é muito grande, e sobre o requisito que faltou, você acaba aprendendo depois" diz. "Há muitas oportunidades, só faltam mulheres corajosas para conseguirem ocupar essas vagas", destaca Lais. "Vai dar medo, vai ser difícil, mas vai dar. É possível sim, não existe limitação física para isso", diz Tainah. Tainah também acredita que mais do que capacidade intelectual, o principal para entrar na área de TI é a vontade. "Vai dar medo, vai ser difícil, mas vai dar. É possível sim, não existe limitação física para isso. Eu vi muitas mulheres que eram mães de primeira viagem ou de segunda viagem fazendo o mesmo curso que eu. Pessoas que não tinham condições financeiras, com dificuldade de aprendizado, e todas elas conseguiram. É possível, mas não vai ser fácil. Aí que entra o querer", relata. Ela também não precisou abandonar sua vocação com as artes para seguir a carreira na tecnologia. Hoje, as artes visuais hoje são um hobby (vem dar uma olhada não trabalho dela!), o que, segundo Tainah, acaba sendo muito melhor do que antes. "Faço quando quero, como quero, não dependo disso, e agora conheci um novo universo que vai de acordo com minha personalidade, porque gosto de trabalhar em grupo, isso não era tão comum nas artes, nos lugares em que trabalhei", conta. "Cada um tem sua história, e é bom não desistir nos momentos difíceis, que é quando a gente tem mais vontade. Nessa hora respire, tire o pé do acelerador, mas não para e não volta. Vai devagar, mas vai".
  2. Com 8 anos de idade, Ana Carolina da Hora já sabia que queria ser cientista. Aos 12, já tinha começado a programar. Nascida em Duque de Caxias (RJ), Nina, como é conhecida, sempre gostou de computação, e aproveitou o apoio da família durante a infância e adolescência para explorar a área com recursos que tinha dentro de casa mesmo. Nina vem de uma família de professoras, então a educação sempre foi muito forte em seu ambiente familiar. "Aqui faltava qualquer coisa, menos livro. Eu lia livros de ciência para crianças em quadrinhos. Também li 'O homem que calculava', de Malba Tahan, que é antigo e fez parte da infância de muitas pessoas. Muita gente fala que se interessou pela matemática por conta desses livros. Eu lia e ficava imaginando como foi possível para esses cientistas e filósofos terem as ideias que eles tiveram", conta Nina. Interessada em tecnologia, Nina desmontava aparelhos de DVD e minigames em casa, até que um dia aproveitou o computador de sua tia para programar. "Sempre tive muita liberdade para fazer isso mesmo sem as ferramentas que as pessoas ricas ou de classe média tinham. Os livros me ajudaram muito, e os desenhos e programas que eu assistia de ciência também, além de professores que nessa fase me ajudaram a buscar conhecimento de formas diferentes". Mesmo com todo esse interesse, Nina não sabia direito o "nome" da profissão que ela queria seguir, até que ela descobriu que era Ciência da Computação. "Não só pelo título de cientista, mas por querer passar pelo caminho e pela história da computação, e não só fazer parte do resultado. Eu fui saber isso com quase 17 anos, quando fui prestar vestibular", conta. Foi com essa idade que Nina foi aprovada em uma universidade pública. Alguns anos depois, em 2015, ela migrou para a PUC-Rio, onde está agora finalizando o último ano de curso, aos 26 anos. "Desde que entrei na faculdade eu já trabalhava. Fiz curso técnico em informática e comecei atuando nessa área como estagiária. Virei professora porque me dava bem com os alunos e tirava dúvidas deles no laboratório". Foi assim que Nina passou a dar aula de programação com 18 anos. Depois disso, ela foi trabalhar como desenvolvedora em inteligência artificial, mas seu objetivo mesmo sempre foi seguir na área acadêmica. "Por isso eu fiz muita coisa, participei do Apple Developer Academy 2018-2020 e de programas de pesquisa da PUC. Durante a universidade, trabalhei em duas startups de robótica no Brasil desenvolvendo produtos e robôs. Também trabalhei em ONG por dois anos, com a ideia de democratizar a computação. Trabalhei em escolas, startups, empresas, ONGs e laboratórios de pesquisa", diz. Agora, perto de se formar, Nina já vai direto iniciar seu doutorado. "Sempre vou atuar na sociedade civil, mas eu gosto da pesquisa e de dar aula, pois acho que é uma forma de se manter sempre atualizado". Toda essa trajetória de Nina converge para a criação de um instituto de computação em Duque de Caxias, que é o próximo projeto no qual ela quer investir. "Para isso preciso ter minhas experiências, entender o que é necessário para esse ambiente". Nina conta que o instituto será focado em educação tecnológica de computação. "O foco é desenvolver cientistas, e não só preparar pessoas para uma carreira profissional. O objetivo é parar de pensar nas pessoas como objeto de mercado de trabalho. Meu público-alvo será os mais jovens e negros, que geralmente querem entrar nessa área e não tem oportunidade, mas também quero atingir um público mais velho". Desafios e preconceito A carreira de Nina é repleta de conquistas e aprendizados, mas quem vê de fora nem imagina as dificuldades de ser uma mulher negra em uma área predominantemente composta por homens brancos. "Continua sendo um desafio, acho que as pessoas têm bastante problema em lidar com mulheres negras em posições de tomada de decisão", diz. Segundo ela, essa dificuldade vem de uma ideia de que as decisões dentro da área devem ser objetivas e frias. "Quando colocam mulheres negras, que são pessoas que humanizam os projetos nas ciências exatas, por todo nosso background, há uma dificuldade das pessoas em saber lidar, porque não seguimos os padrões e estereótipos dessa área". "A dedicação que tenho que ter é o triplo da dedicação que um homem branco que trabalha na mesma área que eu" Mesmo tendo encontrado muitas portas abertas ao longo de sua trajetória, Nina conta como é a pressão de ter que se reafirmar para ser aceita como profissional e cientista. "Ninguém tem noção de quantas vezes por dia eu tenho que provar que sei o que estou fazendo. Hoje em dia eu sei provar mais rápido. Mas a dedicação que devo ter é o triplo da dedicação que um homem branco que trabalha na mesma área que eu". Nina conta que por ser uma mulher negra e fazer parte da comunidade LGBTQIA+, ela acompanha muito de perto a dificuldade que há nas empresas em trabalhar com diversidade e inclusão. "Não adianta colocar essas pessoas em um ambiente tóxico, pois elas serão prejudicadas. Até mesmo nas redes sociais, quando tenho que criar conteúdo, sou cobrada a provar que sei sobre o que estou falando. Mas eu sou assídua na internet, e eu respondo o que sei responder. Se eu não souber, eu falo que não sei. Ainda assim, as pessoas estão sempre esperando que a gente responda a altura do que elas consideram o certo". Nina participou do Apple Worldwide Developers Conference (WWDC) em 2018 Dificuldades na área de cibersegurança Nina também trabalha com ética e inteligência artificial responsiva, e a cibersegurança sempre esteve muito perto das outras áreas em que atuou. "Não tinha a oportunidade de colocar em prática, mas quando comecei a fazer pesquisas, fui para o estudo de criptografia. Agora estou mais perto de projetos focados na segurança digital no Brasil. Não posso revelar o nome de todos, mas também sou conselheira de segurança do TikTok". Esse conselho consultivo foi pensado para a segurança da informação, explica Nina. "Tem sido interessante colocar em prática a experiência que eu tive". Mas na área de segurança, Nina também vê diversos problemas. "É um setor muito fechado, não acostumado a ter mulheres negras protagonizando, participando das construções de projetos". Ela conta que muitas decisões prejudicam a vida de pessoas negras. "Não dá para lutar pela abertura dos dados, por exemplo, se você não luta pela segurança. Temos muitas mulheres parlamentares negras sendo ameaçadas porque os dados delas estão abertos, sem segurança, personalizando a pessoa. O cruzamento das informações é prejudicial para o que queremos construir em cidadania digital e segurança", aponta. "O cruzamento das informações é prejudicial para o que queremos construir em cidadania digital e segurança". Ela conta que nessa área é preciso entender o contexto em que uma ferramenta será inserida. "Precisamos reconhecer que estamos em contextos diferentes para falar em segurança digital. Estou participando da construção de ferramentas que lidam com violência política, por exemplo. Como foi fazer uma ferramenta para ser usada por uma parlamentar negra de São Paulo e ao mesmo tempo por uma parlamentar indígena do Nordeste? É preciso adaptar sem perder a essência. Esse é um exemplo, e não é fácil, mas as pessoas precisam não ter medo dessa dificuldade e complexidade, senão somente avançaremos com as ferramentas, que daqui a pouco não serão mais usadas, mas não avançaremos com pensamento crítico". Hacker Antirracista "Em todos os lugares que eu passei, vi coisas parecidas, desde pessoas falando abertamente que não gostavam da minha atuação porque sou negra e que eu não tinha que levar questões raciais para a empresa, até pessoas que não queriam que a pesquisa que eu estava fazendo na época abordasse questões raciais. Não tem como a gente estar nesses ambientes e não lutar por respeito", diz Nina. "Quando vou em um evento, se me chamam de novo para o mesmo evento eu falo que não, que tem que chamar outra pessoa negra. Isso é ser Hacker Antirracista". Acompanhando – e vivendo – de perto todas essas questões, ela iniciou um movimento ativo para gerar a desconstrução desses padrões, e hoje se autointitula uma Hacker Antirracista. "Ainda não estamos perto do ideal. Por isso, quando vou em um evento, se me chamam de novo para o mesmo evento eu falo que não, que tem que chamar outra pessoa negra. Isso é ser Hacker Antirracista. Eu gero uma corrente para que essas questões não fiquem centralizadas em uma pessoa só". Menos30 Fest, festival de empreendedorismo e inovação da Globo que Nina participou Nina também trabalha com iniciativas que promovem o conhecimento sobre pessoas negras que atuam na área de ciências. O Ogunhê é um podcast que trata desse assunto. "Eu criei porque mantinha um diário desde a adolescência, quando descobri a área que eu queria atuar. Minha mãe e minha família ficaram com medo, por ser uma área de pessoas brancas e muitos homens, e aí eu comecei a pesquisar sobre cientistas de outros países, criei um diário e ele virou o Ogunhê. É mais uma prática antirracista, mas não só do meio tecnológico. Eu trago pesquisas alinhadas à sociedade", explica. Apoio da família Sem a ajuda da família, Nina não teria chegado onde chegou. Foi sua mãe e suas tias que deram todo o suporte e o incentivo para ela descobrir, inclusive, o que realmente queria fazer. "Elas me faziam perguntas e me incentivaram a conversar sobre isso em casa. Eu não tinha muita gente com quem conversar sobre esses assuntos, e mesmo elas não sendo da área de exatas, – são todas da área de humanas e biológicas – me incentivaram a pensar em formas de buscar conhecimento para que eu não me limitasse". O incentivo continua até hoje. Em casa, Nina é "provocada" a pensar no coletivo. "Não existe estar numa área como da computação e não pensar no que estou oferecendo para a sociedade. A computação só existe por conta de outras áreas, como engenharia elétrica e filosofia. Por isso sempre fui provocada pela família para explicar aqui em casa o que faço para minha avó, mãe, tias, e meus irmãos. São os primeiros testadores de qualquer coisa que eu coloco na rua. Se eles se entenderem, qualquer pessoa vai entender". "Você não está sozinha em nenhum ambiente tóxico, por mais que façam você acreditar nisso". Se você é uma mulher negra, ou representante de qualquer grupo de diversidade, e quer entrar na área de tecnologia, Nina tem um recado: "vocês não estão sozinhas". Ela diz que há muitas pessoas por aí que passam pelas mesmas dificuldades nesse caminho e que quando ela percebeu isso, viu que não iria desistir. "Você não está sozinha em nenhum ambiente tóxico, por mais que façam você acreditar nisso. Quando percebemos que não estamos sozinhas, conseguimos colocar os problemas na luz e ver como resolver, sempre coletivamente". Nina contou ainda com uma base religiosa para conseguir seguir em frente diante das dificuldades, mas diz que independente de acreditar ou não em religião, todo mundo pode encontrar portas de saída. "Qualquer forma de ver a vida e qualquer perspectiva de base precisa ser revisitada nos piores momentos da sua vida", complementa.
  3. A Microsoft, em parceria com a WOMCY, organização responsável pela capacitação e incentivo a mulheres na área de cibersegurança, lançaram o 'Momentum WOMCY & Microsoft: Porque eu Mereço!', uma iniciativa que selecionará 50 histórias de mulheres inspiradoras que atuam na área de cibersegurança. O objetivo é estimular a presença de mulheres no mercado de tecnologia, e as histórias selecionadas ganharão vouchers de certificação no mundo de Cloud – Microsoft Azure. Para participar, as profissionais devem acessar o link oficial da iniciativa, preencher todas as informações solicitadas até 31 de março, e contar um momento especial que passou em cibersegurança, explicando por que a história deve ser uma das ganhadoras do voucher. As histórias escolhidas por profissionais da Microsoft e WOMCY serão divulgadas no dia 19 de abril, pelas redes sociais da Microsoft e WOMCY. Depois disso, as mulheres selecionadas terão até 10 de dezembro para realizar os exames de certificação. Cada voucher poderá ser utilizado em uma das seguintes certificações: Exam AZ-900: Microsoft Azure Fundamentals, Exam DP-900: Azure Data Fundamentals e Exam AZ-500: Microsoft Azure Security Technologies. Inscreva-se!
  4. O OEA Cyberwomen Challenge, evento realizado nos dias 10 e 11 de fevereiro, tem como missão promover a entrada do público feminino no mercado de cibersegurança. Este ano, o desafio será realizado em formato 100% online, organizado pela Trend Micro, Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Governo do Reino Unido, com apoio da Womcy Latam. O evento é voltado para mulheres que estejam iniciando sua carreira em cibersegurança e topam o desafio de avaliar e mostrar suas capacidades e talentos. Nesta edição, na parte da manhã do dia 10 de fevereiro, a partir das 10h, será realizado um Painel de Tecnologia formado por executivas do mercado de TI e cibersegurança da América Latina e tratará de práticas de gestão e investigação. Estarão presentes no painel Adriana Shimabukuro, técnica do Núcleo Técnico de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal; Leticia Gammill, líder do time de Canais de Cybersecurity das Américas na Cisco e fundadora e presidente da Womcy; Claudia Anania, Head de TI do Instituto Butantan; Tamires Almeida, focada em pré-vendas de projetos de segurança da informação e líder do programa Womcy Mentoring para Mentorias Reversas; Rayanne Nunes, Coordenadora de Tecnologia na Trend Micro; e Barbara Marchiori de Assis, Consultora da OEA e outras empresas. Já no dia 11 de fevereiro, ocorrerá um workshop virtual com o desafio de defender um ambiente simulado com situações realistas de cibersegurança. O objetivo é proporcionar um aprendizado sobre situações como migração de aplicações, apps de orquestração e uso de Security as Code. O workshop terá a orientação de especialistas da Trend Micro e as participantes terão a oportunidade de explorar o networking com profissionais do mercado, além de receberem o kit de participação em sua casa. O desafio concederá ainda uma premiação para o grupo primeiro colocado, composta por um curso relacionado à área do desafio, a ser confirmado pela organização até a data de início do evento; licenças de Antivírus da Trend Micro por um ano; e mentoria de Carreira realizada pela equipe Womcy Mentoring. Para participar, as mulheres de áreas de segurança, arquitetas de segurança, infraestrutura, desenvolvimento ou operações precisam ter conhecimento prévio em Windows e Linux, redes, segurança; containers, pipelines e imagens; processo de DevOps; e conhecer as ferramentas DevOps (Github, Jenkins, ECR da Amazon, Kubernetes, Docker e APIs). Inscreva-se!
  5. Augusta Ada Byron King, atualmente conhecida como Ada Lovelace, é considerada a primeira programadora do mundo. A matemática e escritora inglesa é reconhecida principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina nos anos 1800. Séculos depois, a representatividade das mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática ainda é baixa no mundo inteiro. Segundo levantamento da plataforma digital de recursos humanos Revelo, obtido com exclusividade pelo CNN Brasil Business, em 2020, de todas as vagas da área de tecnologia da informação oferecidas, 12,2% foram ocupadas por mulheres. Em 2017, as mulheres responderam por 10,9% das vagas. Quando afunilamos para o segmento de cibersegurança, os números também não são muito representativos, mas embora o número de homens no segmento superem o de mulheres na proporção de três para um, mais mulheres estão entrando na área e buscando posições de liderança. De acordo com o (ISC)2 Cybersecurity Workforce Study de 2018, as mulheres que trabalham com segurança cibernética no mundo representavam cerca de 24% da força de trabalho total naquele ano. Em 2017, apenas 11% dos entrevistados do estudo eram mulheres. Impulsionadas por níveis mais elevados de educação e mais certificações, mulheres da área de segurança cibernética estão se afirmando na profissão. A pesquisa aponta que, em comparação com os homens, percentagens mais altas de mulheres profissionais de segurança cibernética estão alcançando cargos como diretor de tecnologia (7% das mulheres contra 2% de homens); vice-presidente de TI (9% contra 5%); diretor de TI (18% contra 14%) e executivo C-Level (28% contra 19%). O cenário abre portas para maior diversidade dentro das companhias de tecnologia e na área de cibersegurança, mas ainda é preciso um trabalho de educação e incentivo para que mais mulheres entrem no segmento. Nesta terça-feira, 13 de outubro, se comemora o Ada Lovelace Day, uma celebração anual das mulheres que trabalham nos setores de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, geralmente dominados pelos homens, e para celebrar e estimular o engajamento no assunto, conversamos com profissionais que atuam no segmento. Elas relataram a motivação para atuar na área, a importância de se especializar, além das dificuldades encontradas no caminho. Carolina Bozza, Bacharel em Ciência da Computação, trabalha há 15 anos em segurança da informação, atualmente como Diretora Regional de Vendas para América Latina. "Das áreas de ênfase em meu curso de graduação, redes e segurança me pareceu a mais interessante, desafiadora e, obviamente, a que melhor me prepararia para o mercado de trabalho, pois as demais ênfases eram muito focadas na área acadêmica. Foi assim, então, que apliquei para o processo seletivo do laboratório ACME!, focado em pesquisas no segmento de segurança, da própria universidade, onde escrevi minha monografia focada em Resposta a Incidentes e Políticas de Segurança", conta. Segundo ela, existe ainda um certo preconceito com o público feminino em muitas áreas, e tecnologia é apenas uma delas. "Não podemos negar que mesmo em 2020, existe um ranço do passado, da época em que mulher não trabalhava, não estudava e não era valorizada como profissional. Isso está acabando, mas ainda temos um árduo caminho pela frente", diz Carol. Ela acredita que a maior barreira hoje em dia é a que a própria profissional cria para si. "Muitas, com receio da rejeição, nem tentam por achar que não serão selecionadas, não aplicam por se acharem "menos", desistem por já terem tomado alguns 'nãos'. Essa carga histórica ainda gera muita insegurança na cabeça de muitas mulheres e é isso que precisamos combater", destaca. Representatividade – O fato do número de mulheres ainda ser pouco representativo nessas carreiras acaba sendo intimidador, ou no mínimo causa estranheza. Maria Teresa Aarão, conhecida como Teca, trabalha em segurança da informação desde 1995, sendo que entrou na área de tecnologia em 1974, e destaca que quando fica muito difícil a entrada em uma área, é natural procurar outros espaços. "É difícil encontrar um hacker famoso mulher. Existem, mas não tem a mesma repercussão que os homens em suas organizações", diz. Empreendedora na área de certificação digital, Teca dá consultoria e conta que as dificuldades e barreiras para atuação de mulheres no segmento são as mesmas em qualquer outra área de engenharia e administração. Apaixonada pela área, Teca não se intimidou com a baixa representatividade feminina e buscou se aprimorar. "Somos poucas e isso causa estranheza em algumas situações. Mas já mudou bastantes nos últimos 10 anos. Nos anos 90, causava estranheza uma mulher instalando roteadores, buscando cabos embaixo da mesa, entrando e permanecendo em data centers gelados configurando equipamentos. Hoje, percebo que existe uma naturalidade maior, mais igualdade nas tarefas operacionais. Mas muito pouco mudou nas áreas de administração" pontua. Teca possui vasta experiência na área, desde consultoria autônoma em desenvolvimento de software, trabalhando ainda em um representante de fabricantes de equipamentos de comunicação até chegar aos produtos de proteção de rede, como firewalls, filtros para e-mail, varredores de vulnerabilidades de redes locais e Internet. "O próximo passo foi atuar com soluções de gestão de identidade e autenticação, quando então mergulhei apaixonada na disciplina de criptografia. De lá para cá, não fiz outra coisa a não ser aprender mais sobre isso e atuar com produtos e aplicações", destaca. Programas de incentivo – Estudar, ir atrás e se aprimorar pode ser o primeiro passo para que esse paradigma de poucas mulheres no segmento se quebre. Carol Bozza ressalta que ao olhar para um determinado segmento com poucas ou quase nenhuma mulher, as aspirantes a uma vaga nesse determinado segmento acabam pensando "isso não é pra mim", e muitas desistem. "Se a proporção homem/mulher fosse menos discrepante, acabaria com esse estigma, mas não existe profissão para mulher ou pra homem; existe profissão para funcionário dedicado, comprometido, competente, focado e obviamente, que entrega o que a empresa espera como resultado", diz. Para estimular a entrada de mulheres na área de cibersegurança e promover mais estudo e conhecimento, há no Brasil iniciativas importantes, entre elas o Woman in Cybersecurity (Womcy) e o Cyber Security Girls. "Sou lider Brasil do Womcy para ações de mentoria. Junto com outros voluntários e voluntárias, nosso trabalho é ajudar jovens profissionais e estudantes a engajarem em suas carreiras na área de cibersegurança. Além dessa frente, o Womcy possui várias outras focadas no desenvolvimento do mercado de cibersegurança na América Latina", diz Carol Bozza. Womcy Para conhecer mais sobre a iniciativa, conversamos com Andréa Thomé, líder do capítulo brasileiro do Womcy. Com 26 anos de carreira em consultoria, Andréa começou sua atuação em segurança de informação em uma empresa de auditoria, expandindo para governança, risco e compliance. Há 6 anos, começou a me engajar em causas feministas, trabalhando com mentoria no Rede Mulher Empreendedora e no grupo Mulheres do Brasil. "Em outubro do ano passado, recebi convite da fundadora do Womcy, Leticia Gammil, para atuar no Brasil. Quando ela foi buscar uma ONG para mulheres de cibersegurança na América Latina, não encontrou, e assim teve a ideia de criar a ONG", conta Andréa. Assim, em janeiro de 2019 o Womcy foi lançado, chegando ao Brasil em outubro do mesmo ano. "Hoje, já somos mais de 650 voluntárias e voluntários. Trabalhamos com empoderamento da mulher no segmento, aumentando o quórum de mulheres no mercado e reduzindo o gap de conhecimento. Osso é feito em três vertentes: nas empresas, nas universidade e nas escolas", explica. Nas empresas, o Womcy oferece programas, palestras e mentorias, além de também entrar em contato com os RHs para divulgar vagas. Para as faculdades, a iniciativa é levar palestras e mentorias de carreira. Já para as escolas, o Womcy Girls, voltado a meninas de 7 a 14 anos, conta com palestras de mulheres que atuam em carreiras de ciência, tecnologia e matemática. Já o Womcy Geek, direcionado a um público de 7 a 17 anos, fala sobre riscos e ameaças do mercado para essa juventude que já nasce digital. Hoje, a atuação está mais focada no mundo empresarial em função da pandemia. "Temos uma liderança forte montada para cada programa, com uma líder Brasil e pelo menos três a quatro líderes de apoio para atender os voluntários que se engajam nas ações, e os membros que participam", conta Andréa. A estrutura do Womcy ainda conta com seis equipes: marketing; jurídica; voluntárias; membership para atrair voluntários e membros; aliança com programa de parceria; e o Womcy He for She, uma rede de homens comprometidos com a causa. "Quando assumi a liderança do Womcy no Brasil, vi que não chegaríamos a lugar algum se trabalhássemos de forma separatista. Sabemos que há homens que precisam ser educados em relação à mulher, mas muitos querem trabalhar em prol desse projeto. E eles simplesmente chegam e trabalham nesses programas em benefício das mulheres", destaca. Cyber Security Girls Outro programa que tem o mesmo objetivo de impulsionar a atuação de mulheres na carreira de segurança da informação é o Cyber Security Girls, que atua em parceria com o Womcy na causa no Brasil. Fundada em 2018 por Paula Papis e Erick Ferreira, a comunidade tem o intuito de trazer mais mulheres para a área de cibersegurança. Paula Papis trabalha em TI há mais de 20 anos, e em segurança nos últimos 7 anos, e destaca que sempre foi a única mulher em muitas situações de sua carreira. "Hoje eu atuo em uma empresa multinacional que tem uma preocupação grande em trazer mulheres, mas ainda não tem os 50%, principalmente em cargos de liderança. Esse sempre foi um questionamento nosso, pois é uma área interessante, e todo dia aprendemos coisas novas. Temos boa perspectiva de empregabilidade, e muitas vagas abertas não são preenchidas. Diante dessa inquietação, resolvemos fundar a comunidade", conta Paula. O Cyber Security Girls conta com três principais frentes: um programa de mentoria, para o qual são selecionadas pessoas que estão começando na área, fazendo um recorte social especialmente para que não tem uma base educacional forte. "Damos preferência para quem não teve oportunidade", destaca Paula. A segunda vertente é um canal no Youtube que aborda a questão da representatividade, com mulheres que já têm uma carreira na área para contarem como foi esse desenvolvimento, inspirando as meninas que estão começando. "Trazemos temas técnicos, mas com o viés da mulher que conseguiu se destacar em uma área que não tinha experiência". Uma terceira vertente é participação em evento. "Isso aconteceu não de forma muito planejada, pois como não temos mulheres praticamente participando de eventos, os próprios organizadores nos procuraram para participar. Começamos a separar temas, e as meninas da primeira turma de mentoria palestraram em vários eventos, cada uma com um tema. São pessoas iniciantes e é bom para ganhar o traquejo de palestrar, pois no dia a dia das empresas, será necessário defender suas ideias", diz. Diante da pandemia, a comunidade se adaptou para um ciclo de mentoria online e fará uma nova seleção aberta, exclusivamente para mulheres. "Ficamos muito felizes em conseguir despertar esse interesse em pessoas de irem pra área e conseguirem se desenvolver. Abrimos 20 vagas para a segunda turma, e estamos na faixa de 14 pessoas. A ideia não é o volume, e sim ficar mais próximo para justamente dar um acompanhamento melhor". Para participar, é necessário ter o mínimo de conhecimento em tecnologia. Desenvolvimento da área – A importância do trabalho dessas comunidades, contudo, está principalmente em reduzir o gap que existe na área de segurança de informação. "Eu sempre busquei na minha carreira olhar para o mercado. Eu olhava para a empresa e via se o mercado está legal e tem futuro. Em segurança foi assim, comecei a trabalhar em uma empresa que já tinha um pé nessa área, e despertou meu interesse. Mas cargos de gestão e de liderança tem menos mulher, falta representatividade, e isso vem muito da educação que recebemos. Todas essas iniciativas são importantes para justamente conseguir equalizar", destaca Paula. Andréa reitera que essa não é uma questão que pode ser ignorada. "Não dá pra gente ignorar que a mulher é minoria nesse segmento. Temos que trabalhar em prol de mais diversidade de gênero, raça, cor, classe social. Quem não pensar nisso vai estar fora do mercado nos próximos anos. Temos que olhar para ser inclusivo, trazer oportunidades para as pessoas e fazer o bem para quem precisa", complementa.
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